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8. Para este mesmo fim, em perfeita harmonia com os mistérios, tende a oração vocal.
Procede, como é justo, a oração dominical dirigida ao Pai celeste. Em seguida, após haver
invocado o mesmo Pai com a mais Pobre das orações, do trono da sua majestade a nossa
suplicante volve-se para Maria, em obséquio à lembrada lei da sua, mediação e da sua
intercessão, expressa por S. Bernardino de Sena com as seguintes palavras: "Toda graça que
é comunicada a esta terra passa por três ordens sucessivas. De Deus é comunicada a Cristo,
de Cristo à Virgem, e da Virgem a nós" (S. Bernardino de Sena, Sermo VI in Festis B. M.
V., De Annunciatione, a. 1, c. 2). E nós, na recitação dó Rosário, passamos por todos os três
graus desta escala, em diversa relação entre eles; porém mais longamente, e de certo modo
com mais gosto, detemo-nos no último, repetindo por dez vezes a saudação angélica, como
que para nos elevarmos com maior confiança aos outros graus, isto é, por meio de Cristo a
Deus Padre. Porquanto, se tornamos a repetir tantas vezes a mesma saudação a Maria, é para
que a nossa oração, fraca e defeituosa, seja reforçada pela necessária confiança, confiança
que surge em nós se pensarmos que Maria, mais do que rogar por nós, roga em nosso nome.
De certo as nossas vozes serão mais agradáveis é eficazes na presença de Deus se forem
apoiadas pelos rogos da Virgem; à qual Ele mesmo dirige o amoroso convite: "Ressoe a tua
voz ao meu ouvido, porque suave é a tua voz" (Cânt. 2, 14). Por esta mesma razão, no
Rosário nós tornamos tantas vezes a celebrar os seus gloriosos títulos de Mediadora. Em
Maria saudamos aquela que "achou favor junto a Deus"; aquela que foi por Ele, de modo
singularíssimo, "cumulada de graça", para que tal superabundância se entornasse sobre todos
os homens; aquela 'a quem o Senhor está unido pelo vinculo mais estreito que existir possa;
aquela que, "bendita entre as mulheres", "só ela dissolveu a maldição e trouxe a bênção" (S.
Tom., op. VIII, Sobre a Saudação Angélica, n. 8), ou seja o fruto bendito do seu seio, no qual
"todas as nações são benditas"; aquela, enfim, que invocamos como "Mãe de Deus". Pois
bem, em virtude de uma dignidade tão sublime, que coisa haverá que ela não possa pedir
com segurança "para nós pecadores", e, por outro lado, que coisa haverá que não possamos
esperar nós, em toda a vida e nas nossas extremas agonias?
9. Quem com toda diligência houver recitado estas orações e meditado com fé estes
mistérios, não poderá deixar de admirar os desígnios divinos que uniram a Virgem
Santíssima à salvação dos homens; e, com comovida confiança, desejará refugiar-se sob a
sua proteção e no seu seio, repetindo a súplica de S. Bernardo: "Lembrai-vos, ó
piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido à
vossa proteção, implorado o vosso auxílio, invocado a vossa intercessão, tenha sido por vós
desamparado".
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