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10. Porém a virtude que o Rosário tem de inspirar a confiança em quem o reza, possui-a
também em mover à piedade para conosco o coração da Virgem. Quanto deve ser suave para
ela o ver-nos e o escutar-nos, enquanto entrelaçamos em coroa pedidos para nós justíssimos
e louvores para ela belíssimo! Assim rezando, nós desejamos e tributamos a Deus a glória
que lhe é devida; procuramos unicamente o cumprimento dos seus acenos e da sua vontade;
exaltamos a sua bondade e a sua munificência, chamando-lhe Pai e pedindo-lhe, embora
indignos deles, os dons mais preciosos. Com tudo isto Maria exulta imensamente, e, pela
nossa piedade, de coração "magnifica o Senhor". Porque, quando nos dirigimos a Deus pela
oração dominical, nós o suplicamos mediante uma oração digna d'Ele.
11. Mas às coisas que nela pedimos, já de per si tão retas e ordenadas e tão conformes à fé,
à esperança, à caridade cristã, junta-se um valor que não pode deixar de ser sumamente
apreciado pela Virgem Santíssima. Este: que à nossa voz se une a de seu Filho Jesus, o qual,
depois de nos haver ensinado, palavra por palavra, essa fórmula de oração, autorizadamente
no-la impõe, dizendo: "Vós, pois, rezareis assim" (Mt. 6, 9). Certos estejamos, pois, de que,
se formos fiéis a este mandato com a recitação do Rosário, de sua parte Maria não deixará
de exercer com maior benevolência o seu ofício de solícita caridade; e, acolhendo com
semblante benigno estas místicas coroas de orações, recompensar-nos-á com abundância de
graças.
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