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3. Ora, já que a fé é o fundamento e princípio dos dons divinos pelos quais o homem é
elevado, acima da ordem da natureza, aos bens eternos, com toda a razão se celebra a
mística influência de Maria para fazer adquirir e frutificar a fé. Maria, com efeito, é aquela
que gerou o "autor da fé", e que, em razão da sua fé, foi saudada "Bem-aventurada"
"Ninguém, ó Virgem, tem pleno conhecimento de Deus senão por ti; ninguém se salva senão
por ti, ó Mãe de Deus; ninguém, senão por ti, recebe dons da misericórdia divina" (S.
Germano Constantinopolitano, Oratio II in Dormitione B. M. V.). E, certamente, não poderá
parecer exagerada a afirmação de que especialmente pela sua guia e pelo seu auxílio foi que,
mesmo entre enormes obstáculos e adversidades, a sabedoria e as ordenações evangélicas se
difundiram tão rapidamente em todo o mundo, instaurando por toda parte uma nova ordem de
justiça e de paz. Consideração esta que sem dúvida devia estar presente ao ânimo de S.
Cirilo de Alexandria quando, dirigindo-se à Virgem, lhe dizia: "Por ti os Apóstolos
pregaram aos povos a doutrina da salvação; por ti a santa Cruz é louvada e adorada no
mundo inteiro; por ti os demônios são afugentados e o homem chamado de novo ao céu; por
ti toda criatura, detida pelos erros da idolatria, é reconduzida ao conhecimento da verdade;
por ti os fiéis chegaram ao batismo, e em toda parte do mundo foram fundadas as Igrejas" (S.
Cirilo de Alexandria, Homilia contra Nestorium).
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