Leão XIII

CARTA ENCÍCLICA FIDENTEM PIUMQUE

SETEMBRO 1896


DEVOÇÃO DO PONTÍFICE PARA COM O ROSÁRIO

A todos os Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos do Orbe Católico em graça e comunhão com a Sé Apostólica, sobre o Rosário de Nossa Senhora.

Veneráveis Irmãos, Saúde e Bênção Apostólica.

1. Durante o Nosso Sumo Pontificado freqüentemente temos tido ocasião de dar públicas provas da confiança e da piedade, para com a Santíssima Virgem, que sempre nutrimos desde os mais tenros anos, e que depois nos temos esforçado por alimentar e aumentar em toda a Nossa vida. Incidindo, com efeito, em tempos não menos infaustos para a Igreja do que cheios de perigos para a própria sociedade civil, facilmente havemos compreendido o quanto era útil recomendarmos com máximo calor esse baluarte de salvação e de paz que Deus, na sua grande misericórdia, quis dar à humanidade, na pessoa de sua augusta Mãe, e que depois ele tornou insigne nos fastos da Igreja por uma série ininterrupta de acontecimentos favoráveis. E os povos católicos têm correspondido aos Nossos votos e às Nossas exortações com múltiplas e pressurosas iniciativas, mas especialmente reavivando a devoção para com o Rosário, com abundante messe de esplêndidos frutos. Mas Nós não nos podemos cansar de exaltar a Mãe de Deus, que é verdadeiramente "digníssima de todo louvor", nem de inculcar um terno amor para com ela, que também é Mãe dos homens, e que é "cheia de misericórdia e cheia de graça". Antes, quanto mais a Nossa alma, fatigada pelas solicitudes apostólicas, sente avizinhar-se a hora da sua partida, tanto mais ardente e confiantemente volve o olhar para aquela que é como a aurora bendita da qual surgiu o dia de uma felicidade e de uma alegria sem ocaso. Oh! quanto nos consola, Veneráveis Irmãos, a lembrança das Cartas periodicamente escritas para recomendar o Rosário, tão grato àquela a quem se quer honrar, tão útil àqueles que o rezam bem! Mas não é menos caro ao Nosso coração o termos ainda a possibilidade de reafirmar insistentemente o Nosso propósito; mesmo porque, assim fazendo, temos ótima ocasião de exortar paternalmente as mentes e os corações a um sempre maior apego à religião, e de revigorar neles a esperança das imortais recompensas.