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2. A forma de oração de que falamos foi chamada com o belo nome de Rosário como que
para exprimir, a um tempo, o perfume das rosas e a graça das coroas. Nome que, enquanto é
indicadíssimo para significar uma devoção destinada a honrar aquela que justamente é
saudada como "Rosa Mística" do Paraíso, e que, cingida de uma coroa de estrelas, é
venerada como Rainha do universo, parece também simbolizar o augúrio das alegrias e das
grinaldas que Maria oferece aos seus fiéis.
3. E esta asserção aparece ainda mais evidente se se considerar a natureza do Rosário
mariano. De feito, nada nos é mais recomendado pelos preceitos e pelos exemplos de Cristo
e dos Apóstolos do que a obrigação de invocarmos a Deus e de suplicarmos o seu auxilio.
Depois, os Padres e os Doutores da Igreja, por sua parte, nos ensinam que este dever é de tal
importância, que quem o descurasse debalde confiaria em alcançar a eterna salvação. Mas,
embora quem reza tenha, pela própria virtude da oração e pela promessa de Cristo, :c
possibilidade (te impe as graças divinas, todavia, como todos sabem, a oração tira a sua
maior eficácia principalmente destas duas condições, a saber: da assídua perseverança, e da
união de muitos corações na mesma oração. A primeira condição é claramente posta em
evidência pelas amorosas instâncias de Cristo: "Pedi, procurai, batei" (Mt. 7, 7); instâncias
que pintam Deus como o mais terno dos pais, o qual quer, sim, acolher os desejos de seus
filhos, mas também se alegra de sentir-se por eles longamente rogado, antes como que
cansado pelas súplicas deles, para ligar sempre mais estreitamente a si os seus corações.
Depois, sobre a outra condição, o próprio Senhor em várias circunstâncias proclamou: "Se
dois de vós se puserem juntos na terra para pedir qualquer coisa, eu estarei no meio deles"
(Mt 18, 19-20). Ensinamento do qual tirou inspiração aquela vigorosa sentença de
Tertuliano: "Reunimo-nos juntos em assembléia e em sociedade como que para tomar de
assalto a Deus com as nossas preces; é esta uma forma de violência, porém muito do agrado
de Deus" (Tertuliano, Apologet., c. 39). Além disto, é digno de menção, a este propósito, o
que escreve o Aquinate: "E' impossível que não sejam escutadas as orações de muitos juntos,
quando não formam senão uma só oração" (S. Thomas de Aquino, In Evangelium Matthaei, c.
18).
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