A UNIÃO E A PERSEVERANÇA NA RECITAÇÃO DO ROSÁRIO

4. Ora, ambas estas condições se acham perfeitamente unidas no Rosário. Nele, com efeito, - para omitirmos outras reflexões - pela nossa repetição das mesmas orações nós demonstramos querer obter do Pai Celeste o seu reino de graça e de glória; e com as nossas reiteradas súplicas à Virgem Mãe imploramos para nós pecadores o seu auxílio e a sua intercessão durante toda a nossa vida e na nossa hora extrema, que é a porta da eternidade. Depois, a própria forma do Rosário presta-se otimamente para a oração em comum; tanto que, com razão, foi ele chamado "Saltério mariano". Mantenha-se, portanto, com religiosa exatidão, ou se reponha em honra, o uso que tanto floresceu entre os nossos antepassados, quando as famílias cristãs, nas cidades e nos campos, consideravam como um sagrado dever o reunir-se, à noite, depois dos labores do dia, diante de uma imagem da Virgem, para recitar alternativamente o Rosário. E ela se comprazia tanto nesta fiel e concorde homenagem, que, como uma mãe entre a coroa de seus filhos, assistia propícia aqueles seus devotos, e concedia-lhes o dom da paz doméstica, penhor da paz do Céu.

5. E foi justamente refletindo na eficácia desta oração em comum que, entre as Nossas muitas outras disposições sobre o Rosário, explicitamente declaramos "ser Nosso vivo desejo que ele fosse recitado todo os dias nas catedrais das simples Dioceses, e todos os dias de festa nas igrejas paroquiais" (Leão XIII, Carta Apostólica "Salutaris Ille", 24 dez. 1883). Observe-se, pois, com solicitude e com constância essa nossa disposição. De resto, vemos com profunda satisfação que a santa prática se divulga e se conjuga com outras públicas manifestações de piedade, como, por exemplo, com as peregrinações aos santuários mais insignes: costume que se afirma sempre mais, com grande comprazimento Nosso.

6. Mas esta união de preces e de louvores marianos apresenta também outros aspectos, que proporcionam muita alegria e muita utilidade às almas. E Nós mesmo - alegra-se-nos o coração ao reavivarmos aqui esta lembrança - tivemos meios de fazer a experiência disso em algumas circunstâncias particulares do Nosso Pontificado: quando, na Basílica Vaticana, estávamos cercados por uma multidão imensa de fiéis de todas as categorias, os quais, unidos a Nós nas intenções, na voz e na meditação dos mistérios do Rosário, suplicavam a poderosíssima Auxiliadora do povo cristão.