|
7. E quem quererá considerar excessiva e censurar a grande confiança depositada no auxilio
e na proteção da Virgem? Todos estão de acordo em admitir que o nome e a função de
perfeito Mediador não convém senão a Cristo: porque só Ele, conjuntamente, Deus e
Homem, reconciliou o gênero humano com seu sumo Pai: "Um mediador entre Deus e os
homens, Cristo Jesus Homem, aquele que a si mesmo se deu como preço de resgate por
todos" (1 Tim. 2, 5-6). Mas se, como ensina o Angélico, "nada proíbe que algum outro se
chame, sob certos aspectos, mediador entre Deus e os homens, quando dispositiva e
ministerialmente coopera para a união do homem com Deus" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 26
a. 1), como é o caso dos Anjos, dos Santos, dos profetas e dos sacerdotes do velho e do
novo Testamento, sem dúvida alguma tal título de glória convém, em medida ainda maior, à
Virgem excelsa. Com efeito, é impossível imaginar outra criatura que tenha realizado ou
esteja para realizar uma obra semelhante à dela, na reconciliação dos homens com Deus. Foi
ela que, para os homens fadados à eterna ruína, gerou o Salvador; quando, ao anúncio do
mistério de paz trazido à terra pelo Anjo, ela deu o seu admirável assentimento, "em nome de
todo o gênero humano" (S. Thomas de Aquino, 3 q. 30 a. 1). Ela é aquela "da qual nasceu
Jesus", sua verdadeira Mãe, e por isto digna e agradabilíssima "Mediadora junto ao
Mediador”.
8. Como estes mistérios são sucessivamente propostos, no Rosário, à meditação dos fiéis,
segue-se que esta oração põe em evidencia os méritos de Maria na obra da nossa
reconciliação e da nossa salvação. Ninguém -assim pensamos pode subtrair-se a uma suave
emoção ao contemplar a Virgem, ou quando visita a casa de Isabel para lhe dispensar os
divinos carismas, ou quando apresenta seu filho pequenino aos pastores, aos reis, a Simeão.
E que não sentirá a alma fiel quando refletir que o Sangue de Cristo, derramado por nós, e os
membros nos quais ele mostra ao Pai as feridas recebidas "como penhor da nossa
liberdade", não são outra coisa senão carne e sangue da Virgem? E, na realidade: "A carne
de Jesus é carne de Maria; e, embora sublimada pela glória de ressurreição, todavia a
natureza dessa carne permaneceu e permanece a mesma que foi tomada de Maria" (De
Assumptione B. M. V., c. V, inter operas S. Augustini, PL, XL, Incerti Auctoris ac Pii, col.
1141-1145).
|
|