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9. Mas, como de outra vez lembramos, o Rosário produz outro fruto notável, adequado às
necessidades dos nossos tempos. E' este: que, numa época em que a virtude da fé em Deus
está cada dia exposta a tão graves perigos e assaltos, o cristão acha no Rosário meios
abundantes para alimentá-la e reforçá-la.
10. As Sagradas Escrituras chamam a Cristo "condutor e aperfeiçoador da fé" (Heb. 12, 2).
"Condutor", porque ensinou aos homens grande número de verdades que eles devem crer,
especialmente as que dizem respeito a "Aquele em quem "habita toda a plenitude da
Divindade" (Col. 2, 9); e, ademais, porque, com a graça e como que com a unção do Espírito
Santo, concede generosamente o dom da fé. "Aperfeiçoador", porque no Céu, onde
converterá o hábito da fé na clareza da glória, Ele tornará evidentes aquelas coisas que os
homens, na vida mortal, perceberam como através de um véu. Ora, todos sabem que, na
prática do Rosário, Cristo tem esse lugar de proeminência que lhe compete. De fato, é a sua
vida que nós contemplamos na meditação: a privada, nos mistérios gozosos; a pública, em
meio aos graves incômodos e a padecimentos mortais; a gloriosa, enfim, que da sua triunfal
ressurreição chega até à eternidade d'Ele, sentado à destra do Pai. E, como é necessário que
a fé, para ser digna e perfeita, se manifeste exteriormente, "pois que com o coração se crê
para a justiça, e com a boca se faz a profissão para a salvação" (Rom. 10, 10), no Rosário
achamos também excelente meio para professarmos a nossa fé. E, realmente, com as orações
vocais de que ele se tece, podemos exprimir a nossa fé em Deus, nosso Pai providentíssimo,
na vida futura, na remissão dos pecados, nos mistérios da augusta Trindade, do Verbo
encarnado, da maternidade divina, e em outras verdades ainda. Ora, ninguém ignora o quanto
é grande o valor e o, mérito da fé: semente seletíssima que hoje faz desabrochar as flores de
todas as virtudes que nos tornam agradáveis a Deus, e que um dia produzirá frutos que
durarão eternamente: "O conhecer a ti é perfeita justiça, e o saber a tua justiça e poder é raiz
de imortalidade" (Sab. 15, 3).
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