PARA O RETORNO DOS DISSIDENTES

14. Eis aí, ó Veneráveis Irmãos, os motivos que nos impelem a não desistir de louvar e de recomendar aos católicos uma forma tão excelente de piedade, uma devoção tão útil para chegar ao porto da salvação. Mas a isto somos movido também por outra razão de extraordinária importância sobre a qual já muitas vezes temos manifestado o nosso pensamento em Cartas e Alocuções, como seja:

15. Sentindo-nos cada dia mais fortemente estimulado e impelido á obra pelo ardente desejo - em nós ateado pelo sacratíssimo Coração de Jesus - de favorecei a reconciliação dos dissidentes, compreende que esta admirável unidade não pode ser mais bem preparada e realizada do que em virtude da oração. Temos presente ao Nosso espírito o exemplo de Cristo, que suplicou longamente seu Pai para que os seguidores da sua doutrina fossem "uma coisa só" na fé e na caridade. Depois disso, que a prece da Virgem também seja eficacíssima para este fim, disto temos uma prova eloqüente na história apostólica. Aquela página que, enquanto nos apresenta a primeira reunião dos Discípulos, em suplicante espera da prometida efusão do Espírito Santo, faz especial menção de Maria, em oração com eles: "Todos eles perseveravam unânimes na oração com Maria, Mãe de Jesus" (At 1, 14). Portanto, assim como a Igreja nascente justamente se uniu na oração a ela - a mais nobre fautora e guardiã da unidade, - o mais possível oportuno é que outro tanto façam, nos nossos dias, os católicos; especialmente durante o mês de Outubro, que Nós, já de longa data, temos querido dedicado e consagrado à divina Mãe, com a recitação solene do Rosário, para implorar o auxílio dela nas presentes angústias da Igreja. Acenda-se, pois, por toda parte o ardor por esta oração, com a finalidade precípua de alcançar a santa unidade. Nada poderá ser mais suave e mais grato a Maria. Unida intimamente a Cristo, ela deseja sobretudo e quer que aqueles que receberam o dom do mesmo batismo, por Ele instituído, estejam também unidos, por uma mesma fé e por uma perfeita caridade, com Cristo e entre si mesmos.

16. Que, mediante o Rosário, os mistérios augustos desta fé penetrem tão profundamente nas almas, que nós possamos - queira-o Deus! -"imitar aquilo que eles contêm, e alcançar o que prometem !"

Entrementes, em auspício dos divinos favores, e em atestado do Nosso afeto, concedemos de grande coração a cada um de vós, ao vosso clero e ao vosso povo a Bênção Apostólica.

Dado em Roma, junto a S. Pedro, a 20 de Setembro de 1896, décimo nono ano do Nosso Pontificado.

LEÃO PP. XIII.