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7. Mas a eficácia e o valor do Rosário aparecem ainda maiores se o considerarmos como um
dever imposto à confraria que dele tira o .nome. Na verdade, ninguém ignora o quanto é
necessária para todos a oração, não porque com ela se possam modificar os divinos
decretos, mas porque, como diz S. Gregório: "Os homens, com a oração, merecem receber
aquilo que Deus onipotente desde a eternidade decidiu dar-lhes" (Diálogorum Libros 1, c.
8). E S. Agostinho acrescenta: "Quem sabe bem rezar, sabe também viver bem" (In Psalmos
118). E a oração justamente alcança a sua eficácia máxima em impetrar o auxílio do Céu,
quando é elevada publicamente, com perseverança e concórdia, por muitos fiéis que formem
um só coro de suplicantes. Isto resulta evidente dos Atos dos Apóstolos, onde se diz que os
discípulos de Cristo, à espera do Espírito Santo prometido, "perseveravam unânimes na
oração" (At. 1,14). Os que oram deste modo certissimamente obterão sempre o fruto da sua
oração. E isto justamente se verifica entre os confrades do santo Rosário. Com efeito, assim
como a oração do Ofício divino feita pelos sacerdotes é uma oração pública e contínua, e
por isto eficacíssima; assim também, em certo sentido, é pública, contínua e comum a oração
dos confrades do Rosário: definido este, em razão disto, por alguns Pontífices Romanos, "O
Breviário da Virgem".
8. Depois, conforme já dissemos, como as orações públicas têm uma excelência e uma
eficácia maiores do que as privadas, por isto a Confraria do Rosário também foi chamada
pelos escritores eclesiásticos "milícia orante, alistada pelo Patriarca Domingos, sob as
insígnias da divina Mãe"; isto é, daquela que a Sagrada Escritura e os fastos da Igreja
saúdam como vencedora do demônio e de todas as heresias. E isto porque o Rosário
mariano liga com um vínculo comum todos aqueles que podem associar-se a ela, fazendo-os,
como que irmãos e co-milicianos. E assim eles formam uma fortíssima falange, inteiramente
armada e pronta a repelir os assaltos dos inimigos, quer internos, quer externos. Por isto, os
membros desta pia associação podem com razão aplicar a si mesmos aquelas palavras de S.
Cipriano: "Nós temos uma oração pública e comum, e, quando oramos, não oramos por um
simples indivíduo, mas pelo povo todo, porque, quantos somos, formamos uma coisa só" (S.
Cipriano, De Oratione Dominica).
9. Aliás, a história da Igreja atesta a força e a eficácia destas orações, recordando-nos a
derrota das forças turcas na batalha naval de Lepanto, e as esplêndidas vitórias alcançadas
no século passado sobre os mesmos Turcos em Temesvar, na Hungria, e perto da ilha de
Corfu. Do primeiro fato permanece como monumento perene a festa de Nossa Senhora das
Vitórias, instituída por Gregório XIII, e depois consagrada e estendida á Igreja universal por
Clemente XI, sob o nome de festa do Rosário.
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