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10. Pelo fato, pois, de estar esta milícia orante "alistada sob a bandeira da divina Mãe", ela
adquire uma nova força e se ilustra de nova alegria, como sobretudo demonstra, na recitação
do Rosário, a freqüente repetição da saudação angélica depois da oração dominical. Esta
prática, longe de ser incompatível com a dignidade de Deus - como se insinuasse que nós
devemos confiar mais em Maria Santíssima do que no próprio Deus - tem, ao contrário, uma
particularíssima eficácia para O comover e no-lo tornar propício. De feito, a fé católica nos
ensina que nós devemos orar não só a Deus, mas também aos Santos (Concilum Tridentinum
Sessio 25), embora de maneira diferente: a Deus, como fonte de todos os bens; aos Santos,
como intercessores. "De dois modos pode-se dirigir a alguém um pedido, diz S. Tomás: com
a convicção de que ele possa atendê-lo ou com a persuasão de que ele possa impetrar aquilo
que se pede.
Do primeiro modo só oramos a Deus, porque todas as nossas preces devem ser dirigidas à
consecução da graça e da glória, que só Deus pode dar, como é dito no Salmo 83, 12: "A
graça e a glória dá-a o Senhor". Da segunda maneira apresentamos o mesmo pedido aos
santos Anjos e aos homens; não para que, por meio deles, Deus venha a conhecer os nossos
pedidos, mas para que, pela intercessão deles e pelos seus méritos, as nossas preces sejam
atendidas. E por isto, no capitulo VIII, 4 do Apocalipse se diz que o fumo dos aromas, pelas
orações dos Santos, subiu da mão do Anjo à presença de Deus" (S. Thomas de Aquino, II-II
q. 83, a. 4). Ora, entre todos os Santos que habitam as mansões bem-aventuradas, quem
poderá competir com a augusta Mãe de Deus em impetrar a graça? Quem poderá com maior
clareza ver no Verbo eterno de Deus as nossas angústias e as nossas necessidades? A quem
foi concedido maior poder em comover a Deus? Quem como ela tem entranhas de maternal
piedade? E' este precisamente o motivo pelo qual nós não oramos aos Santos do Céu do
mesmo modo como oramos a Deus; "porquanto à SS. Trindade pedimos que tenha piedade de
nós, ao passo que a todos os outros Santos pedimos que roguem por nós" (S. Th., II-II q. 83,
a. 4). Em vez disto, a oração que dirigimos a Maria tem algo de comum com o culto que se
presta a Deus; tanto que a Igreja a invoca com esta expressão, que se costuma endereçar a
Deus: "Tem piedade dos pecadores". Portanto, os confrades do santo Rosário fazem muito
bem em entrelaçar tantas saudações e tantas preces a Maria, como outras tantas coroas de
rosas. De feito, diante de Deus Alaria é "tão grande e vale tanto que, a quem quer graças e a
ela não recorre, o seu desejo quer voar sem asas".
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