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9. Nem se deve aqui passar em silêncio quanto os mesmos nossos
predecessores, sempre que se lhes ofereceu ocasião, recomendaram o
estudo, a pregação, a leitura e meditação das Sagradas
Escrituras. Com efeito Pio X aprovou calorosamente a Sociedade de
S. Jerônimo que tem por fim propagar entre os fiéis o louvável
costume de ler e meditar os santos Evangelhos e facilitar quanto
possível este pio exercício. Exortou-a a perseverar constantemente
na empresa, afirmando que "era a coisa mais útil e adaptada aos
tempos", pois contribui não pouco "a desfazer o preconceito que a
Igreja se opõe à leitura da Sagrada Escritura em língua vulgar e
procura impedi-la".[20] Bento XV no XV centenário da morte
do doutor máximo, na exposição das Sagradas Escrituras, depois de
inculcar escrupulosamente os ensinamentos e exemplos do mesmo santo
doutor e os princípios e normas ditados por Leão XIII e por ele
próprio, e depois de outras oportuníssimas recomendações deste
gênero que é preciso não esquecer nunca, exortou "todos os filhos
da Igreja e especialmente o clero à veneração da Sagrada Escritura
juntamente com a devota leitura e meditação assídua", fazendo notar
"que nestas páginas se deve procurar o alimento que sustenta e
aperfeiçoa a vida do espírito" e que "o principal uso da Escritura
é o que tem por fim exercer santa e frutuosamente o ministério da
divina palavra". Depois louvou novamente a atividade da Sociedade
que tomou o nome do mesmo S. Jerônimo, que em larga escala difunde
os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos, "de tal forma que já não
há família cristã que os não possua e todos se vão habituando a
lê-los e meditá-los todos os dias".[21]
10. É, porém, justo e grato reconhecer que os notáveis
progressos feitos pela ciência e uso das Sagradas Escrituras entre os
católicos se devem não somente a essas disposições, prescrições e
exortações de nossos predecessores, mas também ao concurso e
colaboração de todos os que, com pronto acatamento, consagraram as
suas fadigas tanto a meditar, investigar e escrever, como a ensinar,
pregar, traduzir e propagar os Livros Santos. Com efeito, das
escolas superiores de Teologia e Sagrada Escritura e,
principalmente, de nosso Pontifício Instituto Bíblico têm saído
já e saem muitos cultores das divinas Escrituras, que animados de
ardente amor dos Livros santos infundem o mesmo amor na juventude
eclesiástica e lhe comunicam diligentemente a doutrina que aprenderam.
Não poucos têm feito e fazem progredir as ciências bíblicas,
nomeadamente com seus escritos, quer publicando edições críticas do
sagrado texto, explicando-o, ilustrando-o, traduzindo-o, em
vulgar, quer propondo-o à devota leitura e meditação dos fiéis,
quer finalmente aprendendo e cultivando as ciências profanas que servem
à inteligência da Escritura. Essas e outras obras que cada dia mais
se vão propagando e desenvolvendo, quais são, por exemplo, as
reuniões; congressos, semanas de estudos bíblicos, bibliotecas,
associações para a meditação dos evangelhos, fazem-nos conceber
certas esperanças de que para o futuro a veneração, uso e ciência
das sagradas Escrituras progredirão cada vez mais para o bem das
almas; contanto que todos com firmeza, entusiasmo e confiança se
atenham ao método de estudos bíblicos traçados por Leão XIII,
por seus sucessores declarado e aperfeiçoado, e por nós confirmado e
acrescido; método que é o único seguro e comprovado pela
experiência; nem se deixem desanimar pelas dificuldades, que, como
sucede nas coisas humanas, nunca hão de faltar nesta tão grande
obra.
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