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21. Portanto o exegeta católico, para corresponder às hodiernas
exigências dos estudos bíblicos, ao expor a Sagrada Escritura, e
ao mostrá-la e demonstrá-la imune de qualquer erro, use com a
devida prudência também deste meio, examinando quanto possa ajudar a
verdadeira e genuína interpretação a forma ou gênero literário
empregado pelo hagiógrafo; e persuada-se que não pode descurar esta
parte do seu ofício sem grande prejuízo da exegese católica.
Assim, para citar um só exemplo, quando alguns presumem acusar os
autores sagrados de erro histórico ou de inexatidão em referir certos
fatos, examinando bem vê-se que se trata simplesmente de modos de
falar ou narrar próprios dos antigos, correntemente usados para trocar
idéias e que realmente se aceitavam como lícitos no trato ordinário.
Quando, por conseguinte, tais modos de falar se encontram na divina
palavra, que se exprime em linguagem humana para os homens, pede a
justiça que não sejam tachados de erro mais do que quando empregados
no uso cotidiano. Conhecendo, pois, e avaliando devidamente os modos
e arte de falar e escrever dos antigos poderão resolver-se muitas
objeções que se fazem contra a verdade e valor histórico das divinas
Escrituras; além de que esse estudo ajudará muito a uma mais
completa e luminosa compreensão do pensamento do Autor sagrado.
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