|
23. Os progressos da investigação da antiguidade oriental, de que
falamos, o estudo mais minucioso do texto original, o conhecimento
mais vasto e perfeito das línguas bíblicas e das orientais em geral,
deram em resultado, com o divino auxílio, que muitas das questões,
que ao tempo de nosso predecessor Leão XIII, os críticos
estranhos ou mesmo adversos à Igreja levantavam contra a
autenticidade, antiguidade, integridade, e valor histórico dos
Livros Santos, estão hoje completamente resolvidas e liquidadas. É
que os exegetas católicos manejando retamente as mesmas armas da
ciência de que os adversários não raro abusavam, encontraram
interpretações conformes a doutrina católica e a genuína
tradição, e que, ao mesmo tempo, parecem resolver perfeitamente as
dificuldades, tanto as que os antigos nos deixaram sem solução, como
as que de novo criaram as descobertas das modernas investigações. Em
conseqüência vemos que o crédito da Bíblia e do seu valor
histórico, um tanto abalado na opinião de alguns por tantos ataques,
hoje está plenamente restabelecida entre os católicos; antes não
faltam escritores acatólicos que, em conseqüência de estudos feitos
com seriedade e ânimo desapaixonado, chegaram a abandonar as opiniões
dos modernos, para tornar, ao menos em alguns pontos, às antigas
sentenças. Essa mudança deve-se, em grande parte, ao trabalho
indefesso dos comentadores católicos, que sem se deixarem descoroçoar
das dificuldades e obstáculos de toda a espécie, procuraram com todo
o afinco aproveitar quanto as modernas investigações dos sábios nos
vários campos da arqueologia, da história, da filologia, forneciam
para resolver as novas questões.
|
|