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12. Ao intérprete católico que se aplica a entender e expor as
Sagradas Escrituras, já os Padres da Igreja - e sobretudo
Agostinho - recomendaram vivamente o estudo das línguas antigas e o
recurso aos textos originais.[22] Todavia as condições dos
estudos naqueles tempos eram tais que só poucos, e ainda assim
imperfeitamente, conheciam a língua. Na Idade Média, quando mais
florescia a teologia escolástica, tinha decaído tanto também o
conhecimento do grego entre os ocidentais, que até os maiores doutores
daquele tempo, ao explicarem os Livros santos, deviam basear-se
unicamente na tradução latina da Vulgata. Ao contrário em nossos
dias não só a língua grega, que com a Renascença ressurgiu por
assim dizer à nova vida, é familiar a quase todos os literatos e
cultores da antiguidade, mas também a hebraica e as outras línguas
orientais são largamente conhecidas dos eruditos. Além disso são
hoje tantos os meios para aprender aquelas linguas que o intérprete da
Escritura, que, descurando-as, fecha a si mesmo o acesso aos textos
originais, não podendo evitar a imputação de inconsideração e
indolência. Dever do exegeta é aproveitar com a máxima atenção e
veneração ainda as mais pequenas minudências provenientes da pena do
hagiógrafo sob a inspiração do Divino Espírito, a fim de penetrar
a fundo e plenamente o seu pensamento. Por isso trabalhe por adquirir
uma perícia cada vez maior das línguas bíblicas e também dos outros
idiomas orientais e apóie a sua interpretação com todos os recursos
subministrados por toda espécie de filologia. Foi o que s.
Jerônimo se esforçou por conseguir, quanto o consentiam os
conhecimentos daquela época, e o mesmo procuraram, com indefesso
estudo e fruto mais que ordinários, os grandes exegetas dos séculos
XVI e XVII, se bem que fosse então, menor do que hoje, a
ciência lingüística. Deve, pois, com o mesmo método explicar-se
o texto original, o qual pelo fato mesmo de ter sido escrito pelo
Autor sagrado, tem maior autoridade e peso que qualquer tradução
antiga ou moderna por ótima que seja; e isso poderá obter-se mais
fácil e proveitosamente, se ao conhecimento das línguas se unir uma
sólida perícia da arte crítica aplicada ao mesmo texto.
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