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19. Em primeiro lugar, portanto, veneráveis irmãos, pedimos as
mais generosas e ardentes preces a Deus. Procurai por todos os meios
que vossos sacerdotes e fiéis elevem instantes e ininterruptas
súplicas por esta causa santíssima. Instrui-os bem e mantende-os
regularmente ao corrente da vida da Igreja; dareis assim alimento ao
zelo pela oração; seja esta ainda mais vivamente estimulada em certos
tempos litúrgicos, mais propícios a nutrir e incentivar as santas
missões. Pensamos sobretudo no santo Advento, porque nele revive a
expectativa do gênero humano pelo Salvador e a providencial
preparação da obra da salvação; na festa da Epifania, que
manifestou aos homens a nova salvação; em Pentecostes que, ao sopro
do Espírito Paráclito, celebra o nascimento da Igreja.
20. A oração mais excelente é a de Cristo Jesus, sumo
sacerdote, e que dos altares diariamente sobe a Deus Pai na
renovação do santo sacrifício da redenção. Por isso, nestes
anos, dos quais talvez muito do futuro da Igreja em vários lugares
dependa, seja oferecido pelas santas missões, no maior número
possível, o sacrifício eucarístico, concordando assim com os
desejos do Senhor, que ama sua Igreja e a quer viva e dilatada por
todo o mundo. As súplicas particulares dos fiéis são perfeitamente
legítimas; no entanto, convém lembrar-lhes a que fim, necessária
e principalmente, se ordena a celebração do sacrifício do altar. O
Cânon da missa declara: "Primeiramente... por vossa santa
Igreja católica, para que vos digneis guardá-la em paz, uni-la e
governá-la por toda a terra". Os fiéis compreenderão mais
profundamente essas altíssimas perspectivas da Igreja, se refletirem
sobre a doutrina por nós exposta na Encíclica Mediator Dei, onde
ensinamos ser o sacrifício eucarístico uma ação realizada em nome da
Igreja, porque "o ministro do altar faz as vezes de Cristo
oferente, enquanto cabeça, em nome de todos os membros".[15]
Por conseguinte, toda a Igreja oferece por Cristo ao eterno Pai sua
oblação, "pela salvação do mundo". Por que não oferecerão os
féis suas fervorosas preces a Deus nesse sacrifício, em união com o
sumo pontífice, com os bispos e toda a Igreja, a implorar nova
abundância dos dons do Espírito Santo, pelos quais "com extrema
alegria todo o mundo exulta"?
21. Elevai sempre mais a Deus, veneráveis irmãos, instantes
preces. Refleti atentamente sobre tantos povos, quase inumeráveis,
mergulhados em angústias espirituais, por ainda vaguearem longe do
caminho da verdade, ou por lhes faltarem os meios de perseverar.
Permanecei suplicantes, unidos a Cristo, diante do Pai do céu, e
por vós, sempre e sempre suba até ele a prece, própria aos
apóstolos de todos os tempos, já proferida pelos primeiros
apóstolos; "santificado seja vosso nome, seja feita vossa vontade
assim na terra como no céu!" Unicamente preocupados com a honra e
glória de Deus, desejamos ardentemente que seu reino, reino de
justiça, de amor e de paz, seja estabelecido em todo o universo.
Essa preocupação pela glória de Deus, unida à viva caridade
fraterna, não poderá chamar-se, com toda a verdade, o zelo
missionário? Recebem assim auxílio os obreiros apostólicos,
aqueles que são os verdadeiros arautos de Deus.
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