IV. CONCLUSÃO

31. Levantando nossa voz, por séria exortação em favor das missões da África, nosso coração, como bem o compreendeis, veneráveis irmãos, não se esquece dos filhos que, noutros continentes, se dedicam à expansão da Igreja. Amamos a todos, e muito especialmente os que no Extremo Oriente sofrem tão atrozmente. Se a peculiar condição da África foi-nos ocasião de escrever esta carta encíclica, não queremos terminá-la sem lançar um olhar sobre todas as missões da Igreja católica.

32. Para vós, veneráveis irmãos, que recebestes o múnus pastoral de regiões, onde a semente do evangelho há pouco foi lançada, e que com grande trabalho fundais e consolidais novas comunidades cristãs, queremos seja esta carta, não apenas penhor de nossa solicitude paterna, porém mais ainda um testemunho pelo qual a sociedade universal fundada por Jesus Cristo, duramente despertada pela amplidão e dificuldade de vossas responsabilidades, reconheça ser seu dever auxiliar-vos o mais possível por orações, assistência material e ministério de seus melhores filhos. Que importância tem a grande distância material que vos separa do centro da cristandade? Não são os mais próximos do coração da Igreja aqueles filhos superiores em virtude e que sustentam coisas mais duras? Também a vós, missionários, sacerdotes do clero indígena, religiosos e religiosas, seminaristas, catequistas, leigos militantes sob os estandartes do evangelho, a todos vós, semeadores da religião de Jesus Cristo, espalhados por todo o mundo e ignorados, nosso testemunho de gratidão confiante. Continuai firmes na obra começada, orgulhosos de servir a Igreja, obedecer-lhe a voz e deixar-se levar sempre mais pelo seu espírito, unidos pelos laços da caridade fraterna. Grande conforto e penhor de vitória infalível será para vós, diletos filhos, pensar que a obscura e pacífica luta, empenhada em favor da Igreja, não é apenas a vossa luta ou a de vossa época ou país, mas o perene combate da Igreja, combate que todos os seus filhos têm o dever de travar com suma coragem, pois a Deus e aos irmãos devem o dom da fé recebido no santo batismo.

33. "Se prego o evangelho, não é para minha glória, pois me é imposta esta obrigação; e ai de mim, se não pregar o Evangelho" (1Cor 9,16). Tomamos para nós essas fortes palavras, para nós, vigário de Jesus Cristo, constituído pelo múnus apostólico "pregador e apóstolo... doutor dos povos na fé e na verdade" (1Tm 2,7). Invocando, pois, sobre as missões católicas o duplo patrocínio de s. Francisco Xavier e de s. Teresa do Menino Jesus, a proteção de todos os santos Mártires e a poderosa e materna guarda da Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha dos apóstolos, repetimos de bom grado à Igreja as vitoriosas palavras de seu divino Fundador: "Faze-te ao largo" (Duc in altum) (Lc 5,4).

34. Confiante em que nossos pedidos serão atendidos com vontade enérgica por todos os católicos, a fim de que, pelo impulso da graça divina, possam as santas missões levar até os confins da terra o esplendor da verdade e das virtudes cristãs, juntamente com o progresso da civilização, concedemos de todo o coração, como testemunho de nossa paternal benevolência e penhor dos dons celestes, a cada um de vós, veneráveis irmãos, a vossos rebanhos e a um por um dos arautos do evangelho, tão amados, a bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 21 de abril, na solenidade da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo do ano de 1957, XIX do nosso pontificado.

PIO PP. XII