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40. Sabemos, é verdade, que a maior parte dos doutores
católicos, que com sumo proveito trabalham nas universidades, nos
seminários e nos colégios religiosos, estão muito longe desses erros
que hoje aberta e ocultamente se divulgam, ou por certo afã de
novidades, ou por imoderado desejo de apostolado. Porém, sabemos
também que tais opiniões novas podem atrair os incautos, e, por isso
mesmo, preferimos nos opor aos começos do que oferecer remédio a uma
enfermidade inveterada.
41. Pelo que, depois de meditar e considerar largamente diante do
Senhor, para não faltar ao nosso sagrado dever, mandamos aos bispos
e aos superiores religiosos, onerando gravissimamente suas
consciências, que com a máxima diligência procurem que, nem nas
classes, nem nas reuniões, nem em escritos de qualquer gênero, se
exponham tais opiniões de modo algum, nem aos clérigos, nem aos
fiéis cristãos.
42. Saibam quantos ensinam em institutos eclesiásticos que não
poderão em consciência exercer o oficio de ensinar, que lhes foi
comado, se não receberem religiosamente as normas que temos dado e se
não as cumprirem escrupulosamente na formação dos discípulos. E
procurem infundir nas mentes e nos corações dos mesmos aquela
reverência e obediência que eles próprios em seu assíduo labor devem
professar ao magistério da Igreja.
43. Esforcem-se com todo o alento e emulação por fazer avançar
as ciências que professam; mas, evitem também ultrapassar os limites
por nós estabelecidos para salvaguardar a verdade da fé e da doutrina
católica. Às novas questões que a moderna cultura e o progresso do
tempo suscitaram, apliquem sua mais diligente investigação,
entretanto, com a conveniente prudência e cautela; e, finalmente,
não creiam, cedendo a um falso "irenismo", que os dissidentes e os
que estão no erro possam ser atraídos com pleno êxito, a não ser
que a verdade íntegra que está viva na Igreja seja ensinada por todos
sinceramente, sem corrupção nem diminuição alguma.
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