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5. Se olharmos para fora do redil de Cristo, facilmente
descobriremos as principais direções que seguem não poucos dos homens
de estudo. Uns admitem sem discrição nem prudência o sistema
evolucionista, que até no próprio campo das ciências naturais não
foi ainda indiscutivelmente provado, pretendendo que se deve
estendê-lo à origem de todas as coisas, e com ousadia sustentam a
hipótese monista e panteísta de um mundo submetido a perpétua
evolução. Dessa hipótese se valem os comunistas para defender e
propagar seu materialismo dialético e arrancar das almas toda noção
de Deus.
6. As falsas afirmações de semelhante evolucionismo pelas quais se
rechaça tudo o que é absoluto, firme e imutável, vieram abrir o
caminho a uma moderna pseudo-filosofia que, em concorrência contra o
idealismo, o imanentismo e o pragmatismo, foi denominada
existencialismo, porque nega as essências imutáveis das coisas e não
se preocupa mais senão com a "existência" de cada uma delas.
7. Existe igualmente um falso historicismo, que se atém só aos
acontecimentos da vida humana e, tanto no campo da filosofia como no
dos dogmas cristãos, destrói os fundamentos de toda verdade e lei
absoluta.
8. Em meio a tanta confusão de opiniões nos é de algum consolo ao
ver os que hoje, não raramente, abandonando as doutrinas do
racionalismo em que haviam sido educados, desejam voltar aos mananciais
da verdade revelada e reconhecer e professar a palavra de Deus
conservada na Sagrada Escritura como fundamento da ciência sagrada.
Contudo, ao mesmo tempo, lamentamos que não poucos desses, quanto
mais firmemente aderem à palavra de Deus, tanto mais rebaixam o valor
da razão humana; e quanto mais entusiasticamente enaltecem a
autoridade de Deus revelador, tanto mais asperamente desprezam o
magistério da Igreja, instituído por nosso Senhor Jesus Cristo
para defender e interpretar as verdades reveladas. Esse modo de
proceder não só está em contradição aberta com a Sagrada
Escritura, como ainda pela experiência se mostra equívoco. Tanto
é assim que os próprios "dissidentes" com freqüência se lamentam
publicamente da discórdia que entre eles reina em questões
dogmáticas, a tal ponto que se vêem obrigados a confessar a
necessidade de um magistério vivo.
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