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190. Todas essas coisas, veneráveis irmãos, pretendíamos
escrever-vos e o fazemos a fim de que os nossos e os vossos filhos
compreendam melhor e mais estimem o preciosíssimo tesouro contido na
sagrada liturgia - isto é, o sacrifício eucarístico que representa
e renova o sacrifício da cruz, os sacramentos, rios de graça e de
vida divina, e o hino de louvor que o céu e a terra elevam cada dia a
Deus.
191. Seja-nos lícito esperar que estas nossas exortações
excitem os tíbios e os recalcitrantes não somente a um estudo mais
intenso e iluminado da liturgia, mas ainda a traduzir na prática da
vida o seu espírito sobrenatural, como diz o apóstolo: "Não
queirais extinguir o Espírito".[184]
192. Àqueles que um zelo excessivo leva muitas vezes a dizer e a
fazer coisas que nos pesa não poder aprovar, repetimos a advertência
de são Paulo: "Ponde tudo à prova; ficai com o que é
bom";[185] e os admoestamos com ânimo paterno a consentirem
haurir o seu modo de pensar e de agir da doutrina cristã, conforme os
preceitos da imaculada esposa de Jesus Cristo e mãe dos santos.
193. A todos, enfim, lembramos a necessidade de uma generosa e
fel obediência aos pastores, aos quais compete o direito e incumbe o
dever de regular toda a vida da Igreja, sobretudo a espiritual.
"Obedecei aos vossos superiores e sede-lhes dóceis. Eles, com
efeito, velam sobre as vossas almas, e disso prestarão contas.
Assim poderão fazê-lo com alegria e não gemendo".[186]
194. O Deus que adoramos, e que "não é Deus de discórdia mas
de paz"[187] , conceda, benigno a todos nós, participar neste
exílio terreno, com uma só mente e um só coração, na sagrada
liturgia, a qual seja como que preparação e prenúncio daquela
celeste liturgia, com a qual, segundo confiamos, em companhia da
excelsa Mãe de Deus e dulcíssima mãe nossa, cantaremos: "Àquele
que se senta no trono e ao Cordeiro: louvor, honra e gloria por todos
os séculos".[188]
Com essa exultante esperança a vós todos e a cada um, veneráveis
irmãos e aos rebanhos confiados à vossa vigilância, como penhor dos
dons celestes, e atestado da nossa particular benevolência,
concedemos com grandíssimo afeto a bênção apostólica.
Dado em Castel Gandolfo, junto de Roma, no dia 20 de novembro do
ano de 1947, IX do nosso pontificado.
PIO PP. XII
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