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26. Com o que havemos dito para louvar e recomendar o canto
gregoriano, não é intenção nossa remover dos ritos da Igreja à
polifonia sacra, a qual, desde que exornada das devidas qualidades,
pode contribuir bastante para a magnificência do culto divino e para
suscitar piedosos afetos na alma dos fiéis. Afinal, bem sabido é
que muitos cantos polifônicos, compostos sobretudo no século XVI,
brilham por tal pureza de arte e tal riqueza de melodias, que são
inteiramente dignos de acompanhar e como que de tornar mais perspícuos
os ritos da Igreja. E, se, no curso dos séculos, a genuína arte
da polifonia pouco a pouco decaiu, e não raramente lhe são
entremeadas melodias profanas, nos últimos decênios, mercê da obra
indefesa de insignes mestres, felizmente ela como que se renovou,
mediante um mais acurado estudo das obras dos antigos mestres,
propostas à imitação e emulação dos compositores hodiernos.
27. Destarte sucede que, nas basílicas, nas catedrais, nas
igrejas dos religiosos, podem executar-se quer as obras-primas dos
antigos mestres, quer composições polifônicas de autores recentes,
com decoro do rito sagrado; antes sabemos que, mesmo nas igrejas
menores, não raramente se executam cantos polifônicos mais simples,
porém compostos com dignidade e verdadeiro senso de arte: A Igreja
favorece todos estes esforços; realmente, consoante às palavras do
nosso predecessor de feliz memória são Pio X, ela "sempre
favoreceu o progresso das artes e ajudou-o, acolhendo no uso religioso
tudo o que o engenho humano tem criado de bom e de belo no curso dos
séculos, desde que ficassem salvas as leis litúrgicas",[24]
Estas leis exigem que, nesta importante matéria, se use de toda
prudência e se tenha todo cuidado a fim de que se não introduzam na
Igreja cantos polifônicos que, pelo modo túrgido e empolado, ou
venham a obscurecer, com a sua prolixidade, as palavras sagradas da
liturgia, ou interrompam a ação do rito sagrado, ou, ainda,
aviltem a habilidade dos cantores com desdouro do culto divino.
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