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11. Isso, se vale para toda obra de arte, claro é que deve
aplicar-se também a respeito da arte sacra e religiosa. Antes, a
arte religiosa é ainda mais vinculada a Deus e dirigida a promover o
seu louvor e a sua glória, visto não ter outro escopo a não ser o de
ajudar poderosamente os fiéis a elevar piedosamente a sua mente à
Deus, agindo ela, por meio das suas manifestações, sobre os
sentidos da vista e do ouvido. Daí que, o artista sem fé, ou
arredio de Deus com a sua alma e com a sua conduta, de maneira alguma
deve ocupar-se de arte religiosa; realmente, não possui ele aquele
olho interior que lhe permite perceber o que é requerido pela majestade
de Deus e pelo seu culto. Nem se pode esperar que as suas obras,
destituídas de inspiração religiosa - mesmo se revelam a perícia e
uma certa habilidade exterior do autor -, possam inspirar aquela fé e
aquela piedade que convêm à majestade da casa de Deus; e,
portanto, nunca serão dignas de ser admitidas no templo da igreja,
que é a guardiã e o árbitro da vida religiosa.
12. Ao invés, o artista que tem fé profunda e leva conduta digna
de um cristão, agindo sob o impulso do amor de Deus e pondo os seus
dotes a serviço da religião por meio das cores, das linhas e da
harmonia dos sons, fará todo o esforço para exprimir a sua fé e a
sua piedade com tanta perícia, beleza e suavidade, que esse sagrado
exercício da arte constituirá para ele um ato de culto e de
religião, e estimulará grandemente o povo a professar a fé e a
cultivar a piedade. Tais artistas são e sempre serão tidos em honra
pela Igreja; esta lhes abrirá as portas dos templos, visto
comprazer-se no contributo não pequeno que, com a sua arte e com a
sua operosidade, eles dão para um mais eficaz desenvolvimento do seu
ministério apostólico.
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