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57. O que temos dito da "cabeça mística" [33] ficaria
incompleto, se não tocássemos, ao menos brevemente, aquela outra
sentença do mesmo Apóstolo: "Cristo é a cabeça da Igreja; ele
é o Salvador do seu corpo" (Ef 5,23). Nestas palavras temos
a última razão pela qual a Igreja é dita corpo de Cristo: Cristo
é o Salvador divino desse corpo. Com razão foi pelos samaritanos
proclamado "Salvador do mundo" (Jo 4,42); antes deve sem
dúvida alguma dizer-se "Salvador de todos", embora com são Paulo
devamos acrescentar: "sobretudo dos fiéis" (cf. 1Tm 4,10).
De fato com seu sangue, mais que todos os outros, comprou ele os seus
membros que constituem a Igreja (At 20,28). Tendo, porém,
já exposto detalhadamente esse ponto quando acima tratamos da Igreja
nascida da cruz, de Cristo iluminador, santificador e sustentador do
seu corpo místico, não há por que demorarmo-nos em maiores
explanações; meditemo-lo antes com humildade e atenção, dando
contínuas graças a Deus. O que nosso divino Salvador começou
outrora, pendente da cruz, não cessa de o perfazer continuamente na
celeste bem-aventurança: "A nossa cabeça, diz santo Agostinho,
ora por nós; acolhe uns membros, castiga outros, a outros purifica,
a outros consola, a outros cria, a outros chama, a outros torna a
chamar, a outros corrige, a outros reintegra".[34] A nós é
dado cooperar com Cristo nesta obra, "de um e por um somos salvos e
salvamos".[35]
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