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16. Mais ainda. Como na natureza não basta qualquer aglomerado de
membros para formar um corpo, mas é preciso que seja dotado de
órgãos ou membros com funções distintas e que estejam unidos em
determinada ordem, assim também a Igreja deve chamar-se corpo
sobretudo porque resulta de uma boa e apropriada proporção e
conjunção de partes e é dotada de membros diversos e unidos entre
si. É assim que o Apóstolo descreve a Igreja quando diz: "como
num só corpo temos muitos membros, e os membros não têm todos a
mesma função, assim muitos somos um só corpo de Cristo, e todos e
cada um membros uns dos outros" (Rm 12,4).
17. Não se julgue, porém, que esta bem ordenada e "orgânica"
estrutura do corpo da Igreja se limita unicamente aos graus da
hierarquia; ou, ao contrário, como pretende outra opinião, consta
unicamente de carismáticos, isto é, dos féis enriquecidos de graus
extraordinárias, que nunca hão de faltar na Igreja. E fora de
dúvida que todos os que neste corpo estão investidos de poder
sagrado, são membros primários e principais, já que são eles que,
por instituição do próprio Redentor, perpetuam os ofícios de
Cristo doutor, rei e sacerdote. Contudo os santos Padres, quando
celebram os ministérios, graus, profissões, estados, ordens,
deveres deste corpo místico, não consideram só os que têm ordens
sacras, senão também todos aqueles que, observando os conselhos
evangélicos, se dão à vida ativa, à contemplativa, ou à mista,
segundo o próprio instituto; bem como os que, vivendo no século, se
consagram ativamente a obras de misericórdia espirituais ou corporais;
e, finalmente, também os que vivem unidos pelo santo matrimônio.
Antes é de notar que, sobretudo nas atuais circunstâncias, os pais
e as mães de família, os padrinhos e madrinhas, e notadamente todos
os seculares que prestam o seu auxílio à hierarquia eclesiástica na
dilatação do reino de Cristo, ocupam um posto honorífico, embora
muitas vezes humilde, na sociedade cristã, e podem muito bem sob a
inspiração e com o favor de Deus subir aos vértices da santidade,
que por promessa de Jesus Cristo nunca faltará na Igreja.
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