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67. Agrada-nos agora, veneráveis irmãos, tratar da nossa união
com Cristo no corpo da Igreja; a qual, como bem diz santo
Agostinho, [48] por ser uma coisa grande, misteriosa e divina,
acontece muitas vezes ser mal-entendida e explicada. Primeiramente é
claro que é uma união estreitíssima: na Sagrada Escritura não só
se compara à união do casto matrimônio, e à unidade vital dos
sarmentos com a videira e dos membros do nosso corpo (cf. Ef 5,
22-23; Jo 15,1-5; Ef 4, 16), mas descreve-se como
tão íntima, que a tradição antiquíssima continuada nos Padres e
fundada naquela sentença do Apóstolo: "ele (Cristo) é a cabeça
do corpo da Igreja" (Cl 1,18), ensina que o divino Redentor
forma com seu corpo social uma única pessoa mística, ou como diz
santo Agostinho: o Cristo total. [49] O próprio Salvador na
sua oração sacerdotal não duvidou comparar esta união à maravilhosa
unidade com que o Pai está no Filho e o Filho no Pai (Jo 17,
21-23).
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