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68. A nossa união em Cristo e com Cristo vê-se em primeiro
lugar do fato que, sendo a família cristã por vontade de seu
Fundador um corpo social e perfeito, deve necessariamente possuir a
união dos membros que resulta da conspiração destes para o mesmo
fim. E quanto mais nobre é o fim a que tende esta conspiração,
quanto mais é divina a fonte donde ela procede, tanto mais excelente
é a união. Ora o fim é altíssimo: a contínua santificação dos
membros do mesmo corpo para a glória de Deus e do Cordeiro que foi
sacrificado (Ap 5,12-13). A fonte diviníssima: não só o
beneplácito do Eterno Pai e a vontade expressa do Salvador, mas
também a interna inspiração e moção do Espírito Santo nas nossas
inteligências e corações. E realmente se não podemos fazer o mais
pequenino ato salutar senão no Espírito Santo, como podem
inumeráveis multidões de todas as gentes e estirpes tender de comum
acordo para a suprema glória do Deus uno e trino, senão por virtude
daquele que procede como único e eterno amor do Pai e do Filho?
69. E porque este corpo social de Cristo, como acima dissemos,
por vontade do seu Fundador deve ser visível, é força que aquela
conspiração de todos os membros se manifeste também externamente,
pela profissão da mesma fé, pela recepção dos mesmos sacramentos,
pela participação ao mesmo sacrifício, pela observância prática
das mesmas leis. E ainda absolutamente necessário que haja um chefe
supremo visível a todos, que coordene e dirija eficazmente para a
consecução do fim proposto a atividade comum; e este é o vigário de
Cristo na terra. Pois que, como o divino Redentor enviou o
Paráclito, Espírito de verdade, para que em sua vez (cf. Jo
14,16 e 26) tomasse o governo invisível da Igreja, assim
mandou a Pedro e aos seus sucessores que, representando na terra a sua
pessoa, tomassem o governo visível da família cristã.
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