A EUCARISTIA SINAL DE UNIDADE

80. A precedente exposição da doutrina da íntima união do corpo místico de Cristo com a sua cabeça afigura-se-nos incompleta sem uma breve referência neste lugar a santíssima Eucaristia, pela qual a união nesta vida mortal é levada ao seu auge.

81. Ordenou Cristo Senhor nosso que esta admirável e nunca assaz louvada união que nos une entre nós e com a nossa cabeça divina, fosse manifestada aos féis de modo especial pelo sacrifício eucarístico; no qual o celebrante faz às vezes não só do divino Salvador, mas também de todo o corpo místico e de cada um dos féis; e, por sua parte, os fiéis unidos nas orações e votos comuns, pelas mãos do celebrante, apresentam ao eterno Pai o Cordeiro imaculado - presente no altar à voz unicamente do sacerdote -, como vítima agradável de louvor e propiciação pelas necessidades de toda a Igreja. E do mesmo modo que, morrendo na cruz, o divino Redentor se ofereceu a si mesmo ao Pai como cabeça de todo o gênero humano, assim nesta "oblação pura" (Ml 1,11) não só se oferece a si mesmo ao Pai celeste, como cabeça da Igreja, mas em si oferece os seus membros místicos; pois que a todos, até os fracos e enfermos, tem amorosissimamente encerrados no Coração.

82. O sacramento da eucaristia ao mesmo tempo que é viva e admirável imagem da unidade da Igreja - pois que o pão da hóstia é um, resultante de muitos grãos [56] dá-nos o próprio autor da graça sobrenatural, para dele haurirmos o Espírito da caridade que nos fará viver não a nossa, mas a vida de Cristo e amar o próprio Redentor em todos os membros do seu corpo social.

83. Se, portanto, nas angustiosas circunstâncias atuais houver muitíssimos que se abracem com Jesus escondido sob os véus eucarísticos de tal maneira que nem a tribulação, nem a angústia, nem a fome, nem a nudez, nem os perigos, nem a perseguição, nem a espada os possa separar da sua caridade (cf. Rm 8,35), então sem dúvida a sagrada comunhão, providencialmente restituída em nossos dias a um uso mais freqüente desde a infância, poderá ser fonte daquela fortaleza que não raro produz e sustenta o heroísmo entre os cristãos.