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89. Até aqui, veneráveis irmãos, meditando o mistério da nossa
arcana união com Cristo, procuramos, como doutor da Igreja
universal, iluminar as inteligências com a luz da verdade; agora
julgamos conforme ao nosso múnus pastoral excitar os corações a amar
o corpo místico, com ardente caridade, que não se fique em
pensamentos e palavras, mas se traduza em obras. Se os fiéis da
antiga lei cantaram da cidade terrena: "Se eu me esquecer de ti, ó
Jerusalém, paralise-se a minha mão direita; fique presa a minha
língua ao meu paladar, se eu não me lembrar de ti, se não tiver
Jerusalém como a primeira das minhas alegrias" (Sl
136,5-6); com quanto maior ufania e júbilo não devemos nos
regozijar por habitarmos a cidade edificada sobre o monte santo, com
pedras vivas e escolhidas, "tendo por pedra angular Cristo Jesus"
(Ef 2,20;1Pd 2,45). Realmente não há coisa mais
gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja,
santa, católica, apostólica, romana, na qual nos tornamos membros
de tão venerando corpo; nos governa uma tão excelsa cabeça; nos
inunda o mesmo Espírito divino; a mesma doutrina, enfim, e o mesmo
Pão dos Anjos nos alimenta neste exílio terreno, até que,
finalmente, vamos gozar no céu da mesma bem-aventurança sempiterna.
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