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90. Mas para que não nos deixemos enganar pelo anjo das trevas,
transfigurado em anjo de luz (cf. 2Cor 11,14), seja esta a
suprema lei do nosso amor: amar a esposa de Cristo tal como Cristo a
quis e a adquiriu com seu sangue. Portanto não só devemos amar
sinceramente os sacramentos, com que a Igreja, mãe extremosa; nos
sustenta, e as solenidades com que nos consola e alegra, os cantos
sagrados e a liturgia, com que eleva as nossas almas à, coisas do
céu, mas também os sacramentais e os vários exercícios de piedade
com que suavemente impregna de Espírito de Cristo e conforta as
almas. E não só é nosso dever pagar com amor, como bons filhos, o
seu materno amor para conosco, senão também venerar a sua autoridade
que ela recebeu de Cristo e com que cativa as nossas inteligências em
homenagem a Cristo (cf. 2Cor 10,5); e não menos obedecer às
suas leis e preceitos morais, às vezes molestos à nossa natureza
decaída; refrear a rebeldia deste nosso corpo com penitência
voluntária, e até mortificar-nos, privando-nos de quando em quando
de coisas agradáveis, embora não perigosas. Nem basta amar o corpo
místico no esplendor da cabeça divina e dos dons celestes que o
exornam; devemos com amor efetivo amá-lo tal qual se nos apresenta na
nossa carne mortal, composto de elementos humanos e enfermiços,
embora por vezes desdigam um pouco do lugar que ocupam em tão venerando
corpo.
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