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1. A sagrada virgindade e a perfeita castidade consagrada ao serviço
de Deus contam-se sem dúvida entre os mais preciosos tesouros
deixados como herança à Igreja pelo seu Fundador.
2. Por isso, os santos padres observam que a virgindade perpétua é
um bem excelso nascido da religião cristã. Com razão notam que os
pagãos da antigüidade não exigiram das vestais tal estado de vida
senão por certo tempo;[1] e mandando o Antigo Testamento
conservar e praticar a virgindade, fazia-o só como exigência prévia
do matrimônio (cf. Ex 22,16-17; Dt 22,23-29;
Eclo 42,9); além disso, como escreve santo Ambrósio;[2]
"Lemos de fato que havia virgens no templo de Jerusalém. Mas que
diz delas o apóstolo? 'Todas estas coisas lhes aconteciam em
figura' (1Cor 10,11), para serem indícios dos tempos
futuros".
3. De fato, desde os tempos apostólicos viceja e floresce esta
virtude no jardim da Igreja. Quando nos Atos dos Apóstolos (At
21,9) se diz que as quatro filhas do diácono Filipe eram
virgens, a expressão significa certamente bem mais um estado de vida
do que a idade juvenil. E pouco depois, santo Inácio de
Antioquia, saudando-as, nomeia as virgens [3] que então,
juntamente com as viúvas, constituíam parte importante entre os
cristãos da comunidade de Esmirna. No século II, como testemunha
são Justino, "muitos homens e mulheres, de sessenta e setenta
anos, educados desde a infância na doutrina de Cristo, mantêm
perfeita integridade".[4] Pouco a pouco, cresceu o número dos
que consagravam a Deus a castidade; e ao mesmo tempo aumentou
consideravelmente a importância deles na Igreja, como expusemos na
nossa Constituição Apostólica Sponsa Christi.[5]
4. Também os santos padres - como são Cipriano, santo
Atanásio, santo Ambrósio, são João Crisóstomo, são
Jerônimo, santo Agostinho e muitos outros -, escrevendo sobre a
virgindade, lhe dedicaram os maiores louvores. Ora, esta doutrina
dos santos padres, desenvolvida no correr dos séculos pelos doutores
da Igreja e pelos mestres da ascética cristã, contribui muito para
suscitar ou confirmar nos cristãos de ambos os sexos o propósito firme
de se consagrarem a Deus em perfeita castidade e de perseverarem nela
até à morte.
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