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28. A virgindade merece bem o nome de virtude angélica. São
Cipriano lembra-o com razão às virgens: "O que nós havemos de
ser todos, já vós o começastes a ser. Possuis já neste mundo a
glória da ressurreição; vós passais através do mundo sem as
manchas do mundo. Enquanto perseverais castas e virgens, sois iguais
aos anjos de Deus".[34] A alma sequiosa de vida pura e abrasada
pelo desejo de possuir o reino dos Céus, oferece a virgindade "como
uma pérola preciosa", por amor da qual a alma "vende tudo o que tem
e a compra" (Mt 13,46). Às pessoas casadas e mesmo aos que se
revolvem no lodo do vício, a presença das virgens revela muitas vezes
o esplendor da pureza e inspira o desejo de vencer os prazeres dos
sentidos. Se santo Tomás pôde afirmar "que se atribui à
virgindade a mais alta beleza", [35] foi porque sem dúvida o
exemplo da virgindade é atraente. Pela castidade perfeita, não dão
todos esses homens e mulheres a prova mais brilhante de que o domínio
do espírito sobre o corpo é efeito da ajuda divina e sinal de sólida
virtude?
29. Apraz-nos considerar especialmente que o fruto mais suave da
virgindade está em as virgens manifestarem, só pela sua existência,
a virgindade perfeita da mãe delas, a Igreja, e a santidade da
união íntima que têm com Cristo. No rito da consagração das
virgens, o bispo pede a Deus "que haja almas mais elevadas a quem
não seduza o atrativo das relações carnais, mas aspirem ao mistério
que elas representam, não imitando o que se pratica no matrimônio,
mas amando o que ele significa".[36]
30. A maior glória das virgens está em serem elas imagens vivas da
perfeita integridade que une a Igreja com o seu Esposo divino; e esta
sociedade fundada por Cristo alegra-se o mais possível ao ver que as
virgens são o sinal maravilhoso da sua santidade e da sua fecundidade
espiritual, como escreve tão bem são Cipriano: "São flor nascida
da Igreja, beleza e esplendor da graça espiritual, alegria da
natureza, obra perfeita e merecedora de toda a honra e louvor, imagem
em que se reflete a santidade do Senhor, a mais ilustre porção do
rebanho de Cristo. Compraz-se nelas a Igreja e nelas floresce
exuberante a sua gloriosa fecundidade; de modo que, quanto mais
aumenta o número de virgens, tanto mais cresce a alegria da
mãe".[37]
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