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42. Passemos, veneráveis irmãos, às conseqüências práticas
desta doutrina da Igreja sabre a excelência da virgindade.
43. Primeiramente, deve-se conceder sem rodeios que, por ser a
virgindade mais perfeita que o matrimônio, não se segue que seja
necessária para alcançar a perfeição cristã. Pode-se chegar a
ser santo mesmo sem fazer voto de castidade, como o provam numerosos
santos e santas, que a Igreja honra com culto público, os quais
foram fiéis esposos e deram exemplo de excelentes pais ou mães de
família; além disso, não raro se encontram pessoas casadas que
buscam com todo o empenho a perfeição cristã. A castidade é
conseqüência duma escolha livre e prudente
44. Também se há de notar que Deus não impõe a todos os
cristãos a virgindade, como ensina o apóstolo são Paulo: "Quanto
às virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou conselho"
(lCor 7,25). Portanto, é só conselho a castidade perfeita:
conduz com maior certeza e facilidade à perfeição evangélica e ao
reino dos céus "àqueles a quem isto foi concedido" (Mt
19,11); por isso, como bem adverte santo Ambrósio, a
castidade "não se impõe, mas propõe-se".[45]
45. Por essa razão, a castidade perfeita exige, da parte dos
cristãos, que a escolham livremente, antes de se oferecerem
totalmente a Deus; e, da parte de Deus, que ele comunique o seu dom
e a sua graça (cf.1Cor 7,7). Já o próprio divino Redentor
prevenira: "Nem todos compreendem esta palavra, mas aqueles a quem
isto foi concedido... Quem pode compreender, compreenda" (Mt
19,11.12). São Jerônimo, considerando atentamente essa
sentença de Jesus Cristo, exorta "a que examine cada um as suas
forças, para ver se poderá cumprir os preceitos da virgindade e da
pureza. Em si, a castidade é agradável e atrai a todos. Mas há
que se medir as forças, de modo que compreenda quem puder
compreender. É a voz do Senhor a exortar, por assim dizer, e a
animar os seus soldados para conquistarem o prêmio da pureza. Quem
pode compreender, compreenda; quem pode lutar, lute, vença e
triunfe".[46]
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