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48. Mas, se a castidade consagrada a Deus é virtude difícil, a
sua prática fiel e perfeita é possível às almas que, depois de tudo
bem ponderado, correspondem generosamente ao convite de Jesus Cristo
e fazem quanto podem para a observar. Com efeito, se abraçarem este
estado de virgindade ou de celibato, receberão de Deus o dom da
graça para cumprirem o propósito feito. Por isso, se encontrarem
pessoas "que não sentem ter o dom da castidade (mesmo depois de terem
feito o voto)",[51] não julguem por isso que não podem
satisfazer às suas obrigações nesta matéria: Porque "Deus não
manda coisas impossíveis; mas, ao mandar, recomenda que se faça o
que se pode, que se peça o que não se pode[52] - e ajuda a
poder".[53] Essa verdade muito consoladora lembramo-la também
aos doentes, cuja vontade se enfraqueceu com perturbações nervosas,
e por isso ouvem com excessiva facilidade de certos médicos, às vezes
até católicos, o conselho de pedirem dispensa da obrigação
contraída, sob o pretexto de que não podem observar a castidade sem
prejuízo do equilíbrio psíquico. Quanto mais útil não seria
ajudar esses doentes a reforçarem a própria vontade e a
convencerem-se de que não lhes é impossível a castidade, segundo a
sentença do Apóstolo: "Deus é fiel e não permitirá que sejais
tentados além do que podem as vossas forças, antes fará que tireis
ainda vantagem da mesma tentação, para a poderdes suportar"!
(1Cor 10,13).
49. Os meios recomendados pelo próprio divino Redentor, para
defesa eficaz da nossa virtude, são: vigilância assídua, para
fazermos o melhor que pudermos tudo o que estiver na nossa mão; e
oração constante, para pedirmos a Deus o que pela nossa fraqueza
não podemos conseguir: "Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é
fraca" (Mt 26,41).
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