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50. Tal vigilância de todos os instantes e em todas as
circunstâncias é absolutamente necessária, "porque a carne tem
desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à
carne" (Gl 5,17). Se cedemos, pouco que seja, às seduções
do corpo depressa seremos levados até essas "obras da carne"
enumeradas pelo Apóstolo (cf. Gl 5,1921), que são os
vícios mais vergonhosos da humanidade.
51. Por este motivo, é preciso vigiar primeiramente os movimentos
das paixões e dos sentidos, e dominá-los com uma vida
voluntariamente austera e com a mortificação corporal, para os
submeter à reta razão e à lei divina: "Os que são de Cristo
crucificaram a sua própria carne com os vícios e concupiscências"
(Gl 5,24). O apóstolo das gentes confessa de si mesmo:
"Castigo o meu corpo e reduzo-o à escravidão, para que não suceda
que, tendo pregado aos outros, eu mesmo venha a ser réprobo"
(1Cor 9,27). Todos os santos e santas assim vigiaram os seus
sentidos e reprimiram-lhes os movimentos, às vezes muito
violentamente, segundo as palavras do divino Mestre: "Digo-vos que
todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu
adultério com ela no seu coração. E se o teu olho direito te serve
de escândalo, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é
melhor para ti que se perca um dos teus membros, do que ser o teu corpo
lançado no inferno" (Mt 5,28-29). Essa recomendação
mostra bem que nosso Redentor exige antes de tudo que não consintamos
nunca no pecado, nem por pensamento, e que com a maior energia
cortemos em nós tudo o que poderia, mesmo levemente, manchar esta
virtude belíssima. Nesta matéria, nenhuma vigilância nem
severidade é excessiva. E se má saúde ou outras razões não nos
permitem pesadas austeridades corporais, nunca elas nos dispensam da
vigilância e da mortificação interior.
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