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5. Não se pode contar a multidão daqueles que, desde os começos
da Igreja até aos nossos tempos, dedicaram a sua castidade a Deus,
uns conservando ilibada a própria virgindade, outros consagrando-lhe
para sempre a viuvez, outros finalmente escolhendo, em penitência dos
seus pecados, uma vida perfeitamente casta; todos esses, porém,
propuseram abster-se para sempre dos deleites da carne por amor de
Deus. A doutrina dos santos padres sobre a grandeza e o mérito da
virgindade seja incitamento e forte sustentáculo para todas essas
almas, a fim de perseverarem no sacrifício oferecido e não retomarem
para si nem a mínima parte do holocausto já colocado sobre o altar de
Deus.
6. A castidade perfeita é a matéria de um dos três votos
constitutivos do estado religioso [6] e exigida aos clérigos da
Igreja latina para as ordens maiores [7] e também aos membros dos
institutos seculares.[8] Mas é igualmente praticada por grande
número de simples leigos: homens e mulheres há que, sem viverem em
estado público de perfeição, fizeram o propósito ou mesmo o voto
privado de se abster completamente do matrimônio e dos prazeres da
carne para mais livremente servir ao próximo, e mais fácil e
intimamente se unirem com Deus.
7. Dirigimo-nos com coração paterno a todos e cada um desses muito
amados filhos e filhas, que de algum modo consagraram a Deus corpo e
alma, e exortamo-los vivamente a confirmarem sua santa resolução e a
pô-la em prática com diligência.
8. Não falta contudo quem, saindo do bom caminho, nos dias de hoje
exalte o matrimônio a ponto de o colocar praticamente acima da
virgindade, depreciando conseqüentemente a castidade consagrada a
Deus e o celibato eclesiástico. Por isso nos pede agora a
consciência do nosso cargo apostólico que declaremos e defendamos a
doutrina da excelência da virgindade, para acautelarmos de tais erros
a verdade católica.
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