CONCLUSÃO: OS QUE SOFREM PERSEGUIÇÃO

69. Não queremos terminar esta carta, veneráveis irmãos, sem volver nosso pensamento e nosso coração, de modo especial, para as almas consagradas a Deus, que sofrem dura e funesta perseguição em vários países. Tomem elas exemplo nas virgens da primitiva Igreja, que sofreram martírio pela castidade com ânimo invencível.[81]

70. Todos os que fizeram o sagrado propósito de servir a Cristo, perseverem nele com ânimo valoroso "até a morte" (Fl 2,8). Lembrem-se de que as suas angústias, sofrimentos e orações sõo de grande valor para o estabelecimento de reino de Deus nos seus próprios países e em todo o âmbito da Igreja. Tenham também como certo que os que "seguem o Cordeiro para onde quer que ele vá" (Ap 14,4), cantarão por toda a eternidade "um cântico novo" (Ap 14,3), que ninguém mais pode cantar.

71. Comove-se o nosso coração paterno e compassivo diante dos sacerdotes, religiosos ou religiosas que valorosamente confessam a fé até ao martírio. Por esses e por todos os que, em qualquer parte da terra, se consagraram totalmente ao serviço divino, elevamos súplicas a Deus, pedindo-lhe que os confirme, robusteça e console; e a cada um de vós, veneráveis irmãos, e aos vossos rebanhos, exortamos ardentemente a que, rezando conosco, obtenhais para todos eles o necessário conforto, graças e auxílios divinos.

72. Seja penhor dessas graças e testemunho especial da nossa benevolência a bênção apostólica, que de todo o coração vos concedemos no Senhor, a vós, veneráveis irmãos, e aos outros ministros sagrados, às almas que a Deus consagraram a sua virgindade, principalmente àquelas "que sofrem perseguição por amor da justiça" (Mt 5,10), e a todos os fiéis dos vossos rebanhos.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 25 de março, festa da Anunciação de nossa Senhora, no ano de 1954, XVI do nosso pontificado.

PIO PP. XII