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9. Antes de mais, é preciso notarmos que o essencial da doutrina
sobre a virgindade o recebeu a Igreja dos próprios lábios do seu
divino Esposo.
10. Pareceram aos discípulos muito pesados os vínculos e encargos
do matrimônio, que manifestara o divino Mestre, e disseram-lhe:
"Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não
convém casar" (Mt 19,10). Respondeu-lhes Jesus Cristo que
nem todos compreendem tal linguagem, mas só aqueles a quem isso é
concedido, porque, se alguns são de nascença ou pela violência e
malícia dos homens incapazes de se casar, outros há pelo contrário
que por espontânea vontade se abstêm do matrimônio "por amor do
reino dos céus"; e conclui dizendo: "Quem pode compreender,
compreenda" (Mt 19,11-12).
11. Com essas palavras o divino Mestre não trata dos impedimentos
físicos do casamento, mas da resolução livre e voluntária de quem,
para sempre, renuncia às núpcias e aos prazeres da carne. Pois, ao
comparar os que fazem renúncia espontânea com aqueles que se vêem
impedidos ou pela natureza ou pela violência dos homens, não é
verdade que o divino Redentor nos ensina que a castidade, para ser
perfeita, deve ser perpétua?
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