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19. Julgamos oportuno, veneráveis irmãos, mostrar agora mais
exatamente por que motivo o amor de Cristo leva as almas generosas a
renunciarem ao matrimônio, e quais são os laços misteriosos que
existem entre a virgindade e a perfeição da caridade cristã. Já as
palavras de Jesus Cristo, que mencionamos acima, davam a entender
que a perfeita abstenção do matrimônio liberta os homens dos pesados
encargos e deveres deste. Inspirado pelo Espírito Santo, o
apóstolo das gentes dá o motivo desta libertação: "Quero que
vivais sem inquietação... O que está casado está cuidadoso das
coisas que são do mundo, como há de agradar a sua mulher, e está
dividido" (lCor 7,3233). Note-se porém que o Apóstolo
não repreende os maridos por estarem cuidadosos das esposas, nem as
esposas por procurarem agradar aos maridos; mas nota que estão
divididos os corações entre o amor do cônjuge e o amor de Deus, e
que estão demasiado absorvidos pelos cuidados e obrigações da vida
conjugal para poderem entregar-se facilmente à meditação das coisas
divinas. Porque o dever do casamento prescreve claramente: "Serão
dois numa só carne" (Gn 2,24; cf. Mt 19,5). Os esposos
estão ligados um ao outro tanto na infelicidade como na felicidade
(cf.lCor 7,39). Compreende-se portanto por que é que as
pessoas, que desejam dedicar-se ao divino serviço, abraçam o estado
de virgindade como libertação, quer dizer, para poderem mais
inteiramente servir a Deus e contribuir com todas as forças para o bem
do próximo. Por exemplo, o admirável missionário são Francisco
Xavier, o misericordioso pai dos pobres são Vicente de Paulo, o
zelosíssimo educador da juventude são João Bosco, e a incansável
"mãe dos emigrantes" santa Francisca Xavier Cabrim, como poderiam
eles suportar tantos incômodos e trabalhos, se tivessem de prover às
necessidades corporais e espirituais dos filhos, e da mulher ou do
marido?
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