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1. O arcano desígnio do Senhor, sem nenhum merecimento de nossa
parte, quis confiar-nos a altíssima dignidade e as gravíssimas
solicitudes do Sumo Pontificado justamente no ano em que ocorre o
quadragésimo aniversário da consagração da humanidade ao
sacratíssimo coração do Redentor, feita pelo nosso imortal
predecessor, Leão XIII, ao declinar do século passado, quando
surgia já a aurora do ano santo.
2. Com que alegria, comoção e íntimo assentimento acolhemos
então como mensagem celeste a Encíclica Annum Sacrum, [1]
justamente quando, novo levita, pudéramos recitar: Introibo ad
altare Dei (Sl 42,4). E com que ardente entusiasmo o nosso
coração se uniu aos pensamentos e intenções que animavam e guiavam
aquele ato verdadeiramente providencial de um Pontífice que
conhecera, com tão profunda agudeza, as necessidades e chagas,
claras e ocultas, do seu tempo! Portanto, como poderíamos deixar de
sentir hoje profundo reconhecimento para com a Providência, que houve
por bem dispor coincidisse o nosso primeiro ano de pontificado com uma
recordação tão importante e cara do nosso primeiro ano de
sacerdócio? E como poderíamos deixar de valer-nos, com alegria,
desta ocasião para prestar culto ao "Rei dos reis e Senhor dos
dominadores" (1Tm 6,15; Ap 19,16) quase como oração de
entrada do nosso pontificado, no espírito do nosso inesquecível
predecessor e na fiel atuação das suas intenções? Como poderíamos
deixar de fazer desse culto o alfa e o ômega da nossa vontade e da
nossa esperança, do nosso ensino e da nossa atividade, da nossa
paciência e dos nossos sofrimentos, tudo consagrado à difusão do
reino de Cristo?
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