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36. Nem se deve recear que a consciência da fraternidade
universal, fomentada pela doutrina cristã, e o sentimento que ela
inspira, estejam em contraste com o amor às tradições e glórias da
própria pátria, ou impeçam que se promovam a prosperidade e os
interesses legítimos, porquanto essa mesma doutrina ensina que existe
uma ordem estabelecida por Deus no exercício da caridade, segundo a
qual se deve amar mais intensamente e auxiliar de preferência os que
estão a nós unidos com vínculos especiais. E o divino Mestre deu
também exemplo dessa preferência pela sua pátria, chorando sobre as
ruínas da Cidade Santa. Mas o legítimo e justo amor à própria
pátria não deve excluir a universalidade da caridade cristã que faz
considerar também aos outros e a sua prosperidade, na luz pacificadora
do amor.
37. Tal é a maravilhosa doutrina de amor e de paz, que tão
nobremente tem contribuído para o progresso civil e religioso da
humanidade. E os arautos que, movidos por caridade sobrenatural, a
anunciaram, não só arrotearam terrenos e curaram enfermidades, mas
bonificaram, plasmaram e elevaram a vida a alturas divinas,
impelindo-a para os cimos da santidade, que faz contemplar tudo à iuz
de Deus. Elevaram monumentos e templos que demonstram a que geniais
alturas conduz o ideal cristão, mas sobretudo transformaram os
homens, sábios ou ignorantes, poderosos ou fracos, em templos vivos
de Deus e ramos da mesma videira, Cristo. Transmitiram às
gerações futuras os tesouros de arte e sabedoria antiga, não só,
mas tornaram-nas participantes daquele inefável dom da sabedoria
eterna, que irmana e une os homens com vínculo de sobrenatural
dependência.
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