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49. Diante dos nossos olhos aparecem em toda a sua dolorosa clareza
os perigos que tememos possam advir a esta geração e às gerações
futuras, do desconhecimento, da diminuição e da progressiva
abolição dos direitos próprios da família. Por isso é que nos
erguemos em defensores de tais direitos, com plena consciência do
dever que nos impõe o nosso ministério apostólico. As angústias
dos nossos tempos, tanto interiores como exteriores, tanto materiais
como espirituais, os multíplices erros com suas inúmeras
repercussões, se há alguém que os experimenta amarissimamente é a
minúscula e nobre célula familiar. E preciso, às vezes, grande
coragem e, na sua simplicidade, heroísmo digno de grande admiração
e respeito, para suportar as durezas da vida, o peso cotidiano das
misérias, as indigências e estreitezas que crescem em medida jamais
experimentada; e por vezes sem razão nem necessidade: Quem se ocupa
das almas e recebe as confidências dos corações, bem conhece as
furtivas lágrimas de muitas mães, a dor resignada de inúmeros pais,
e as muitas amarguras, que nenhuma estatística cita nem poderá
citar, vê com verdadeira preocupação crescerem sempre mais esses
sofrimentos, bem sabendo que as potências da subversão e destruição
estão vigilantes e prontas a servir-se disso para os seus tenebrosos
desígnios.
50. Quem tenha um pouco de boa vontade e olhos abertos não poderá
por certo recusar ao Estado, nas circunstâncias extraordinárias em
que se acha o mundo, um direito mais amplo e excepcional para acudir
às necessidades do povo. Mas a ordem moral, por Deus estabelecida,
exige também em tais contingências que se indague com maior sutileza e
seriedade se tais providências são realmente necessárias, segundo as
normas do bem comum.
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