|
51. Em todo o caso, quanto mais onerosos são os sacrifícios
materiais pelo Estado, exigidos dos indivíduos e das famílias,
tanto mais sagrados e invioláveis devem ser os direitos das
consciências. Poderá pretender bens e sangue, nunca porém a alma
por Deus redimida. A missão que Deus confiou aos pais de se
interessarem pelo bem material e espiritual da sua prole e de dar a ela
uma formação harmônica e repassada de verdadeiro espírito
religioso, não lhes poderá ser arrebatada sem grave lesão do
direito. Esta formação deve certamente ter por finalidade também
preparar a juventude para cumprir com inteligência, consciência e
galhardia aqueles deveres de patriotismo que dá à pátria terrestre a
devida medida de amor, de dedicação e colaboração. Mas por outra
parte, uma formação que se esqueça, ou, o que é pior ainda,
propositalmente descure de dirigir os olhos e o coração da juventude
para a pátria sobrenatural, seria uma injustiça contra a juventude,
uma injustiça contra os inalienáveis deveres e direitos da família
cristã, um excesso a que se deve remediar também em favor do bem
público e do Estado. Semelhante educaç?8o poderia parecer
àqueles que por ela são responsáveis, fonte de maior força e
vigor; na realidade seria o contrário e as tristes conseqüências
encarregar-se-iam de prová-lo. O delito de lesa majestade contra o
"Rei dos reis e o Senhor dos dominadores" ( 1Tm 6,15; Ap
19,16) perpetrado por uma educação indiferente ou contrária ao
espírito cristão, a inversão do "deixai que as crianças venham a
mim" (Mc 10,14) acarretaria amaríssimos frutos. Ao
contrário, o Estado que tira aos dilacerados corações dos pais e
das mães as suas preocupações e restabelece os seus direitos, mais
não faz do que promover a própria paz interna e lançar as bases de um
futuro mais feliz para a pátria. As almas dos filhos que Deus deu
aos pais, assinaladas no batismo com o selo real de Cristo, são um
depósito sagrado por Deus vigiado com cioso amor. O mesmo Crispo
que disse "deixai que as crianças venham a mim", ameaçou também,
não obstante sua bondade e misericórdia, terríveis males àqueles
que escandalizam os prediletos do seu coração. E que escândalo mais
nocivo e duradouro às gerações do que uma formação da juventude
dirigida para uma meta que afasta de Cristo, "caminho, verdade e
vida", levando-a a uma simulada ou manifesta apostasia? Este
Cristo do qual querem alienar as gerações juvenis presentes e
futuras, é o mesmo que recebeu do seu eterno Pai o poder no céu e na
terra. Em sua mão onipotente tem ele o destino dos Estados, dos
povos e das nações. A ele compete diminuir-lhes ou prolongar-lhes
a vida, o desenvolvimento, a prosperidade e a grandeza. De tudo o
que existe sobre a terra, somente a alma tem vida imortal. Um sistema
de educação que não respeitasse o recinto sagrado da família,
protegido pela santa lei de Deus, que procurasse minar-lhe os
alicerces, que fechasse à juventude o caminho que conduz a Deus, às
fontes de vida e de alegria do Salvador (Is 12,3), que
considerasse o apostatar Cristo e a Igreja como símbolo de fidelidade
ao povo ou a uma determinada classe, pronunciaria contra si mesmo a
sentença de condenação, e experimentaria, a seu tempo, a
inelutável verdade das palavras do profeta: "Aqueles que se afastam
de ti serão escritos na terra" (Jr 17,13).
|
|