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59. Não, veneráveis irmãos, a salvação dos povos não pode
vir dos meios externos; a espada que é capaz de impor condições de
paz, não pode criar a paz. As energias que devem renovar a face da
terra devem partir do interior, do espírito. A nova organização do
mundo, da vida nacional e internacional, quando cessarem as amarguras
e as cruéis lutas hodiernas, não deverá repousar mais na areia
movediça das normas mutáveis e efêmeras, deixadas ao arbítrio do
egoísmo coletivo e individual. Devem elas antes erguer-se sobre
sólida base, sobre a rocha inabalável do direito natural e da
revelação divina. Dali deverá o legislador humano atingir aquele
espírito de equilíbrio, aquele apurado senso de responsabilidade
moral, sem o que é fácil desconhecer os limites entre o legítimo uso
e o abuso do poder. Tão-somente assim as suas decisões poderão ter
consistência interna, nobre dignidade e sanção religiosa, e não
ficarão à mercê do egoísmo e da paixão. Porquanto, se é verdade
que os males sofridos hoje pela humanidade, procedem, em parte do
desequilíbrio econômico e da luta dos interesses, no intuito de
alcançar uma distribuição mais équa dos bens que Deus concedeu ao
homem como meios do seu sustento e progresso, verdade é também que
eles têm a sua raiz muito mais profunda a tocar nas crenças religiosas
e nas convicções morais, pervertidas pelo progressivo afastamento dos
povos da unidade de doutrina e de fé, de costumes e de moral,
promovida um dia pela obra indefessa e benéfica da Igreja. A
reeducação da humanidade, para ter qualquer resultado positivo,
deverá ser sobretudo espiritual e religiosa; deverá, portanto,
partir de Cristo, sua base indispensável, deverá ser atuada pela
justiça e coroada pela caridade.
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