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60. Realizar esta obra de regeneração, adaptando os seus meios
às modificadas condições dos tempos e às novas necessidades do
gênero humano, eis a tarefa essencial e materna da Igreja.
Agregação do Evangelho, imposta pelo seu divino fundador, em que
se inculca aos homens a verdade, a justiça e a caridade, e o esforço
para arraigar nas almas e nas consciências os seus preceitos, eis
também o trabalho mais nobre e frutuoso em favor da paz. A
grandiosidade de tal missão quase que esmorece os corações daqueles
que fazem parte da Igreja militante. Mas o empenhar-se para que seja
difundido o reino de Deus, coisa que cada século procurou realizar de
vários modos, com diversos meios e não poucas e duras lutas, é um
dever imposto a todo aquele que a graça divina arrancou das garras de
Satanás e que com o batismo elegeu cidadão daquele reino. E se o
pertencer a esse reino, o viver segundo o seu espírito, o trabalhar
pelo seu incremento e o tornar acessíveis os seus bens também àquela
porção da humanidade que ainda dele não faz parte, equivale em
nossos dias a dever afrontar oposições vastas e tenazes e
minuciosamente organizadas, isso a ninguém dispensa da franca e
corajosa procissão de fé, mas antes deve incitar a ser firme na
luta, também a custo dos maiores sacrifícios. Quem vive do
espírito de Cristo não se deixa abater pelas dificuldades que lhe
vêm ao encontro, mas sente-se como que impelido a empregar todas as
suas forças com plena confiança em Deus; não se esquiva às
estreitezas e necessidades da hora, mas afronta as suas asperezas,
pronto sempre a socorrer com aquele amor que não poupa sacrifícios;
é mais forte que a própria morte e não se deixa levar pelas
impetuosas águas da tribulação.
61. Diariamente elevamos a Deus o nosso humilde e profundo
agradecimento, veneráveis irmãos, pelo íntimo conforto e celeste
alegria que nos proporciona observar em todas as partes do mundo
católico sinais evidentes de um espírito que afronta corajosamente os
gigantescos encargos da época presente e que, generosa e
decididamente, tende a reunir em fecunda harmonia o primeiro e
essencial dever da própria santificação e a atividade apostólica
para a difusão sempre maior do reino de Cristo. Do movimento dos
congressos eucarísticos promovidos com amorosa solicitude pelos nossos
predecessores, da colaboração dos leigos formados na Ação
católica e da profunda consciência da sua nobre missão, derivam
fontes de graças e reservas de forças, que dificilmente se poderiam
estimar como merecem, tanto delas necessitamos nos tempos atuais em que
aumentam as ameaças, enquanto arde a luta entre o cristianismo e o
anticristianismo.
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