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62. Quando contemplamos com tristeza a desproporção entre o
número dos sacerdotes e os encargos que lhes tocam, quando vemos
verificar-se ainda hoje a palavra do Salvador: "a messe é imensa e
os operários são poucos" (Mt 9,37; Lc 10,2), a
colaboração dos leigos no apostolado hierárquico, numerosa e animada
de ardente zelo e de generosa dedicação, depara-se-nos um precioso
auxílio à obra dos sacerdotes e mostra possibilidades de
desenvolvimento que legitimem as mais belas esperanças. A prece da
Igreja ao Senhor da messe, para que mande operários à sua vinha,
foi atendida como o requerem as necessidades da hora presente e,
felizmente, supre e completa as energias, por vezes impedidas e
insuficientes, do apostolado sacerdotal. Uma ardente falange de
homens e de mulheres e de jovens de ambos os sexos, obedecendo à voz
do sumo pastor às diretrizes dos próprios bispos, consagra-se com
todo o ardor de sua alma às obras do apostolado para reconduzir a
Cristo as massas populares que dele se haviam separado. A todos
chegue, neste momento tão importante para a Igreja e a humanidade, a
nossa saudação paterna, o nosso comovido agradecimento e a nossa
confiante esperança. Puseram eles, verdadeiramente, a sua vida e as
suas obras sob o vexilo de Cristo-Rei e podem repetir com o
Salmista: "Ao rei exponho as minhas obras" (Sl 44,1). O
"venha a nós o vosso reino" é não só o voto ardente de suas
preces, mas também a diretriz de suas obras. Em todas as classes,
em todas as categorias, em todos os grupos esta colaboração do
laicado com o sacerdócio revela preciosas energias às quais está
confiada uma missão que mais elevada e consoladora não poderiam
desejar corações nobres e fiéis. Esse trabalho apostólico,
realizado segundo o espírito da Igreja, consagra o leigo quase
"ministro de Cristo" no sentido assim explicado por santo
Agostinho: "Ó irmãos, quando ouvis o Senhor dizer: 'Onde estou
eu aí estará também o meu ministro', não deveis pensar somente nos
bons bispos e nos bons clérigos. Também vós, a vosso modo, deveis
ser ministros de Cristo, vivendo bem, fazendo esmolas, pregando o
seu nome e a sua doutrina a quem puderdes, de modo que cada qual,
mesmo se pai de família, reconheça dever, também por esse título,
um afeto paterno à sua família. Por Cristo e pela vida eterna,
ninguém deixe de exortar os seus, e os instrua, exorte, repreenda,
demonstrando-lhes sempre benevolência e mantendo-os na ordem;
exercerá assim em casa o ofício de clérigo e, de certo modo, o de
bispo, servindo Cristo, para com ele permanecer eternamente".[5]
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