|
75. Entretanto, veneráveis irmãos, o mundo e todos os que são
hoje vítimas da calamidade bélica devem saber que o dever do amor
cristão, base fundamental do reino de Cristo, não é uma palavra
vã, mas uma viva realidade. Vastíssimo campo se abre à caridade
cristã em todas as suas formas. Temos plena confiança de que todos
os nossos filhos, e especialmente aqueles não coenvoltos no flagelo da
guerra, recordar-se-ão, a exemplo do divino Samaritano, de
socorrer aqueles que, vítimas da guerra, têm direito à compaixão e
socorro.
76. A Igreja católica, cidade de Deus, "que tem por rei a
verdade, por lei a caridade e por medida a eternidade", [8]
anunciando sem erros nem falhas a verdade de Cristo, trabalhando com
arrojo materno e segundo o amor de Cristo, aparecerá certamente como
visão beatífica de paz sobre essa voragem de erros e paixões,
aguardando o momento em que a mão onipotente de Cristo-Rei venha
acalmar a tempestade e banir os espíritos da discórdia que a
desencadearam. Continuaremos, entretanto; a fazer tudo o que
pudermos para acelerar o dia em que a pomba da paz possa pousar seus
pés sobre esta terra, ora imersa no dilúvio da discórdia.
Continuaremos a fazê-lo, confiando naqueles eminentes homens de
Estado que antes de rebentar a guerra envidaram nobres esforços para
afastar dos povos tão grande flagelo; confiando também nos milhões
de almas de todos os países e esferas sociais que invocam não somente
justiça mas caridade e misericórdia; mas, sobretudo, confiando em
Deus onipotente a quem dirigimos diariamente a oração: "à sombra
das vossas asas me acolho, até que passe a calamidade" (Sl
56,2).
|
|