I. SOB O SINAL DE CRISTO-REI

6. Nestas condições de tempo e de espírito, veneráveis irmãos, possa a iminente festa de Cristo-Rei, em que chegará a vosso conhecimento esta nossa primeira encíclica, ser para vós um dia de graça, de profunda renovação e de novo despertar no espírito do reino de Jesus Cristo. Seja um dia no qual a consagração do gênero humano ao divino Coração, que deve ser celebrada com particular solenidade, reúna junto do trono do eterno Rei os fiéis de todos os povos e de todas as nações em adoração e desagravo, para renovarem a ele e à sua lei de verdade e de amor o juramento de fidelidade hoje e sempre. Seja um dia de graça para todos os fiéis, no qual o fogo, por Jesus Cristo trazido à terra, se ateie em chama cada vez mais luminosa e pura. Seja um dia de graça para os tíbios, os cansados, os enfastiados, em que nos seus corações, tornados pusilânimes, amadureçam novos frutos de renovação de espírito e de fortalecimento de ânimo. Seja um dia de graça também para aqueles que ainda não conhecem Cristo e para os que o perderam; um dia no qual, de milhões de corações fiéis, se eleve ao céu a oração. Possa "a luz que ilumina cada homem que vem a este mundo" (Jo 1,9) aclarar-lhes o caminho da salvação; possa a sua graça suscitar no coração inquieto dos errantes o desejo nostálgico dos bens eternos, desejo que os induzam a voltar àquele que, do doloroso trono da cruz, tem sede também das suas almas e deseja ardentemente tornar-se também para elas "caminho, verdade e vida" (Jo 14,6).