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7. Pondo esta primeira encíclica do nosso pontificado sob o sinal de
Cristo-Rei, como que nos sentimos inteiramente seguros do consenso
unânime e entusiástico de todo o rebanho do Senhor. As
experiências, as ansiedades e as provações da hora presente
despertam, aguçam e purificam o sentimento de comunidade da família
católica num grau raramente experimentado, excitando em todos os que
crêem em Deus e em Jesus Cristo a consciência de uma ameaça comum
por parte de um perigo comum.
8. Deste espírito de comunidade católica, potentemente acrescido
em tão árduas circunstâncias, e que é recolhimento e afirmação,
resolução e vontade de vitória, sentimos o bafejo consolador e
inesquecível naqueles dias em que, hesitantes mas confiados em Deus,
tomamos posse da cátedra que ficara vaga pela morte do nosso grande
predecessor.
9. Lembrando-nos ainda das inúmeras provas de filial acatamento à
Igreja e ao Vigário de Cristo, recebidas por ocasião de nossa
eleição e coroação, manifestações cheias de tanta espontaneidade
e ternura, apraz-nos colher esta ocasião propícia para
dirigir-vos, veneráveis irmãos, e a todos os que pertencem à grei
do Senhor, uma palavra de comovido agradecimento por esse pacífico
plebiscito de reverente amor e de inconcussa fidelidade ao papado, com
o qual se vinha reconhecer a providencial missão do sumo sacerdote e do
pastor supremo. Pois que, verdadeiramente, todas aquelas
manifestações não eram nem poderiam ser dirigidas à nossa pobre
pessoa mas sim ao único e altíssimo cargo a que o Senhor nos
elevava. E se já desde aquele primeiro momento sentíamos todo o peso
das graves responsabilidades anexas ao sumo poder que nos conferia a
divina Providência, também nos era de grande conforto ver aquela
grandiosa e palpável demonstração da inscindível unidade da Igreja
católica que tanto mais compacta se estreita à inabalável rocha de
Pedro, rodeando-a de barbacãs inexpugnáveis, quanto mais cresce a
ousadia dos inimigos de Cristo.
10. Este mesmo plebiscito de unidade católica mundial e de
sobrenatural fraternidade de povos em torno do Pai comum, pareceu-nos
tanto mais rico de felizes esperanças, quanto mais trágicas eram as
circunstâncias materiais e espirituais do momento em que se dava; e a
sua recordação nos veio confortando também nos primeiros meses do
nosso pontiilcado, durante os quais temos já experimentado as
fadigas, as ansiedades e as provações semeadas pelo caminho que vem
palmilhando a esposa de Cristo através do mundo.
11. Não queremos que passe despercebido o grande eco de comovido
reconhecimento que vieram suscitar em nosso coração os augúrios
daqueles que, se bem não pertençam ao corpo visível da Igreja
católica, não se esqueceram, em sua nobreza e sinceridade, de
sentir tudo aquilo que, ou por amor à pessoa de Cristo ou pela sua
crença em Deus, os unem a nós. A todos chegue a expressão da
nossa gratidão. Confiamos a todos e cada um em particular à
proteção e guia do Senhor e asseguramos que um único pensamento
domina a nossa mente: imitar os exemplos do bom pastor, a fim de
conduzir todos à verdadeira felicidade; "para que tenham a vida e a
tenham abundantemente" (Jo 10,10).
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