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19. Uma atitude bem definida, doutrinal e completa, contra os
erros dos tempos presentes poderá ser adiada, se for preciso, para
uma época menos agitada pelas desgraças dos acontecimentos externos;
por ora limitar-nos-emos a algumas observações fundamentais.
20. A época atual, veneráveis irmãos, acrescentando novos erros
aos desvios doutrinais do passado, levou-os a extremos dos quais se
não podia originar senão desorientamento e ruína. E antes de tudo,
é certo que a raiz profunda e última dos males que deploramos na
sociedade moderna é a negação e repulsa de uma norma de moralidade
universal, quer na vida individual, quer na vida social e das
relações internacionais, isto é, o desconhecimento, tão difundido
nos nossos tempos, e o esquecimento da própria lei natural, que tem o
seu fundamento em Deus, criador onipotente e Pai de todos,
legislador supremo e absoluto, onisciente e justo vingador das ações
humanas. Quando se renega Deus, abala-se toda a base de
moralidade; sufoca-se ou, pelo menos, debilita-se de muito a voz da
natureza, que ensina, até aos iletrados e às tribos ainda alheias à
civilização, o que é bem e o que é mal, o que é lícito e o que
é ilícito, e faz sentir a responsabilidade das próprias ações
perante o Juiz supremo.
21. Pois bem, a negação da base fundamental da moralidade teve,
na Europa, a sua raiz originária no afastamento daquela doutrina de
Cristo, de que é depositária e mestra a cátedra de são Pedro;
doutrina que, em tempos idos, dera certa coesão espiritual à
Europa, a qual, educada, enobrecida e civilizada pela cruz, chegara
a tal grau de progresso civil que a fizera mestra de outros povos e de
outros continentes. Afastando-se, ao invés, do magistério
infalível da Igreja, não poucos chegaram até a subverter o dogma
central do cristianismo, a divindade do Salvador, acelerando assim o
processo de dissolvimento espiritual.
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