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Senhor,
Ao se render Uruguaiana, inaugurou Vossa Majestade, na América
do Sul, a guerra humanitária, a que aos prisioneiros poupa e salva,
trata feridos inimigos com os desvelos dispensados aos compatriotas, a
que, considerando a efusão de sangue humano deplorável
contingência, aos povos apenas impõe os sacrifícios indispensáveis
ao solido estabelecimento da paz.
E principalmente sob este ponto de vista que ouso achar-me autorizado
a colocar sob o augusto patrocínio imperial a desataviada narrativa da
Retirada da Laguna, obra de constância e da disciplina, em que os
oficiais de Vossa Majestade, devendo defender, por entre obstáculos
os mais diversos, as bandeiras e os canhões a eles confiados, jamais
cessaram, quanto lhes foi possível, de conter o legitimo desforço de
bizarros soldados, exasperados pelo furores do inimigo, e obstar à
crueldade tradicional de auxiliares índios, vingativos como soam ser.
É este reflexo de um grande ato de iniciativa soberana, a mais bela
recordação que jamais poderemos entre camaradas invocar; cabe-nos a
honra de a Vossa Majestade dedicá-la.
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De Vossa Majestade Imperial Súdito e servidor, muito humilde e
obediente,
Alfredo d`Escragnolle Taunay.
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